Investigação dos EUA admite que Israel cometeu repetidas violações de direitos humanos em Gaza

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Washington – Infopal. Um relatório classificado do inspetor-geral do governo dos Estados Unidos revelou que as unidades militares da ocupação israelense podem ter cometido “centenas e centenas” de possíveis violações das leis de direitos humanos na Faixa de Gaza, segundo reportagens recentes.

As conclusões do Gabinete do Inspetor-Geral do Departamento de Estado indicam que o órgão pode precisar de “muitos anos” para examinar essas acusações consideradas credíveis, segundo dois funcionários norte-americanos que falaram ao Washington Post sob condição de anonimato, devido à natureza sensível do relatório.

É a primeira vez que um documento oficial do governo dos EUA reconhece a amplitude das ações militares israelenses em Gaza que podem se enquadrar no escopo das chamadas Leahy Laws — uma lei destinada a impedir o fornecimento de assistência militar dos EUA a unidades estrangeiras acusadas de graves violações dos direitos humanos.

De acordo com os funcionários, os resultados do relatório aumentaram o ceticismo sobre a possibilidade de uma responsabilização real pelos crimes de Israel, especialmente devido ao acúmulo de casos e a um processo de revisão considerado excessivamente complacente com o exército israelense.

“O que me preocupa é que a responsabilidade será esquecida agora que o barulho do conflito está diminuindo”,
declarou Charles Blaha, ex-funcionário do Departamento de Estado com experiência na supervisão das Leahy Laws.

Embora os inspetores tenham se recusado a comentar os detalhes do relatório, confirmaram sua existência no site da agência, observando que ele contém informações classificadas não acessíveis ao público.

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O relatório foi finalizado pouco antes do acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, que permitiu a libertação de reféns israelenses em troca de prisioneiros palestinos e a entrada limitada de ajuda humanitária em Gaza.

Apesar do cessar-fogo, a agressão israelense continuou, com relatos de ataques aéreos que mataram pelo menos 104 palestinos em um dos dias mais letais desde a implementação do acordo.

As Leahy Laws e a guerra em Gaza

As Leahy Laws, que levam o nome do ex-senador Patrick J. Leahy, foram criadas para impor sanções a unidades militares estrangeiras financiadas pelos EUA envolvidas em atrocidades como execuções extrajudiciais e tortura.

A guerra genocida em curso de Israel em Gaza, que já causou a morte de quase 69.000 palestinos desde 7 de outubro de 2023 (corpos oficialmente registrados), testou a eficácia dessas leis.

Vários casos de grande repercussão continuam em análise — incluindo assassinatos de trabalhadores humanitários e civis — sem que os Estados Unidos tenham chegado a conclusões definitivas sobre o uso de armas americanas nessas ações.

Os EUA fornecem a Israel cerca de 3,8 bilhões de dólares anuais em ajuda, tornando-o o maior beneficiário mundial da assistência americana, além de bilhões adicionais em outros tipos de apoio.

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O relatório classificado explica que o processo de revisão das violações de direitos humanos cometidas por exércitos estrangeiros, especialmente Israel, é estruturado de forma única, permitindo uma supervisão mais longa e menos rigorosa do que a aplicada a outros países acusados de práticas semelhantes.

O protocolo específico, conhecido como Israel Leahy Vetting Forum, envolve altos funcionários americanos e um processo mais demorado, voltado para analisar episódios que teriam envolvido as forças de ocupação israelenses.

Em circunstâncias normais, uma única objeção de um funcionário é suficiente para

 bloquear a assistência militar. Mas, no caso de Israel, é exigido o consenso de um grupo de trabalho que inclui representantes de entidades pró-Israel dentro do governo americano. Isso criou um sistema em que, até agora, nenhuma unidade militar israelense foi privada da ajuda dos EUA, apesar das evidências de abusos de direitos humanos.

A administração Biden tem sido criticada por não suspender o apoio às unidades israelenses envolvidas em graves violações de direitos humanos, incluindo o caso da morte de Omar Assad, um cidadão americano de 78 anos que morreu após ser detido pelas forças israelenses. O exército israelense descreveu o incidente como um “fracasso moral e erro de julgamento” por parte dos soldados envolvidos.

Fontes: PressTV, Palestine Chronicle, Quds News, The Washington Post, MEMO

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