
Gaza – PressTv. A Rússia apresentou seu próprio projeto de resolução sobre Gaza ao Conselho de Segurança da ONU depois que a proposta norte-americana não recebeu o apoio de Moscou, Pequim e das nações árabes.
Em uma nota enviada na quinta-feira aos membros do Conselho de Segurança, a missão russa na ONU afirmou que sua “contraproposta é inspirada no rascunho dos Estados Unidos”.
“O objetivo do nosso texto é permitir que o Conselho de Segurança desenvolva uma abordagem equilibrada, aceitável e unificada para alcançar uma cessação sustentável das hostilidades”, afirma a nota, vista pela Reuters.
Washington distribuiu formalmente sua proposta aos 15 membros do Conselho na semana passada. O texto autorizaria um mandato de dois anos para um órgão de governança transitório e uma força internacional de estabilização.
A Rússia, a China e vários Estados árabes se opõem à proposta, levantando preocupações sobre um órgão administrativo ainda por ser criado que governaria temporariamente a Faixa de Gaza e sobre a ausência de qualquer papel transitório para a Autoridade Palestina.
Segundo quatro diplomatas da ONU informados sobre a questão, que falaram à Associated Press sob condição de anonimato, a China e a Rússia — ambos membros com poder de veto — exigiram que o “Board of Peace” previsto no plano de cessar-fogo para Gaza do presidente dos EUA, Donald Trump, fosse completamente removido da resolução.
Os Estados Unidos, no entanto, mantiveram no texto divulgado na noite de quarta-feira a linguagem referente ao conselho, proposto como administração transitória para Gaza.
O projeto russo pede que o Secretário-Geral da ONU identifique opções para uma força internacional de estabilização para Gaza, sem qualquer referência ao “Board of Peace”.
Entre os principais pontos de desacordo em relação ao texto dos EUA estão o caminho para um Estado palestino independente e o cronograma para a retirada das forças israelenses da Faixa de Gaza, segundo os diplomatas.
Apesar disso, a missão norte-americana na ONU instou o Conselho de Segurança a avançar com a resolução dos EUA.
“As tentativas de criar divisões agora — enquanto estão em curso negociações ativas sobre esta resolução — têm consequências graves, concretas e totalmente evitáveis para os palestinos em Gaza”, afirmou um porta-voz da missão dos EUA.
Os diplomatas acrescentaram que os Estados Unidos podem decidir avançar unilateralmente com uma força composta por países dispostos, mesmo sem o apoio da ONU.
Hamas e Israel chegaram no mês passado a um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, com o objetivo de pôr fim à guerra genocida de dois anos conduzida por Israel contra os palestinos no território sitiado.
A trégua entrou em vigor em 10 de outubro, mas Israel continuou a violá-la com bombardeios, incursões, tiroteios e prisões.
O acordo constitui a primeira fase do plano de cessar-fogo de 20 pontos de Trump para Gaza, com fases adicionais a serem negociadas posteriormente.
