
Infopal. Associação dos Palestinos na Itália (API).
As histórias dolorosas de Gaza nunca cessam… A pequena Malak al-Bayouk veio ao mundo na rua, há uma semana, porque no setor já não havia nenhum meio de transporte disponível e nenhuma ambulância conseguiu chegar até sua mãe.
Samaher, a mãe, havia começado a sentir as dores do parto, mas, do centro de Deir al-Balah, não conseguiu encontrar um único veículo que a levasse ao hospital. Assim, pôs-se a caminhar a pé, suportando a dor e o medo. Durante o trajeto, as forças a abandonaram: ela perdeu a consciência e desabou ali mesmo onde se encontrava – e naquele trecho de estrada, exposta ao mundo e à guerra, deu à luz sua filha.
Os vizinhos correram para protegê-la, levantando cobertores e panos para formar um abrigo ao seu redor, tentando criar um fragmento de intimidade em meio à desolação. Trouxeram roupas para a recém-nascida e acompanharam mãe e filha por um caminho até o hospital al-Aqsa, onde o cordão umbilical foi finalmente cortado e a vida da pequena Malak foi salva.
A família já estava deslocada desde o início da guerra: haviam deixado sua casa ao leste de Khan Yunis, destruída sob os bombardeios, fugindo apenas com as roupas que vestiam.
Esses relatos, agora, já não são mais exceções: tornaram-se o cotidiano cruel de Gaza. Desta vez, o destino concedeu um frágil final feliz, mas muitas vezes o desfecho é trágico. A tragédia que se abate sobre a população se renova continuamente, cada vez mais dilacerante que a anterior, numa sucessão de dores que ultrapassa o imaginável.
Associação dos Palestinos na Itália (API)

