
Cisjordânia – PressTV. As forças de ocupação israelenses emitiram uma ordem militar para demolir 25 edifícios residenciais no campo de refugiados de Nur Shams, nos arredores de Tulkarm, no norte da Cisjordânia, enquanto o regime de Tel Aviv continua a expandir de forma alarmante suas atividades de construção de assentamentos ilegais.
O governador de Tulkarm, Abdullah Kamil, apelou à comunidade internacional, às instituições de direitos humanos, às missões diplomáticas e às embaixadas para que intervenham imediatamente a fim de impedir a decisão.
Ele destacou que essa medida reflete a continuidade da arrogância israelense e dos crimes de ocupação contra os palestinos que vivem nos campos de Tulkarm e Nur Shams.
Kamil descreveu a ação como uma campanha sistemática de destruição e vandalismo, direcionada contra civis e suas propriedades, resultando no deslocamento forçado dos moradores dos dois campos.
O governador observou que tais ações constituem uma violação flagrante do direito internacional, dos princípios humanitários e das convenções de direitos humanos. Ele renovou o apelo por uma intervenção internacional imediata para deter a agressão em curso contra Tulkarm e as comunidades vizinhas.
A mídia israelense informou, na sexta-feira, que o chamado gabinete de segurança de Israel aprovou planos para formalizar 19 assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada, uma iniciativa que, segundo autoridades palestinas, aprofunda um projeto de roubo de terras e engenharia demográfica que dura décadas.
O relatório também indicou que a decisão inclui a restauração de dois postos avançados no norte da Cisjordânia que haviam sido desmantelados durante o “desengajamento” de 2005.
O jornal israelense Ynet informou que o plano “foi coordenado antecipadamente com os Estados Unidos”, enquanto o Channel 14 afirmou que a iniciativa foi impulsionada pelo ministro das Finanças Bezalel Smotrich, ele próprio colono e uma das figuras mais extremistas do gabinete israelense.
A aprovação ocorre enquanto forças israelenses e colonos intensificam a violência na Cisjordânia, em meio ao genocídio em curso em Gaza, onde mais de 70 mil palestinos foram mortos desde o início da guerra em outubro de 2023.
Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), pelo menos 232 palestinos, incluindo 52 crianças, foram mortos por tropas e colonos israelenses na Cisjordânia desde o início do ano.
O OCHA também registrou mais de 1.700 ataques de colonos com feridos ou danos materiais, uma média de cinco agressões por dia em mais de 270 comunidades.
A maioria dos ataques concentrou-se em torno de Ramallah, Nablus e al-Khalil/Hebron, áreas historicamente alvo da expansão dos assentamentos.
Enquanto isso, mais de 1.000 palestinos foram deslocados à força este ano na Área C, que representa cerca de 60% da Cisjordânia e permanece sob total controle militar israelense.
Casas foram demolidas, confiscadas ou lacradas, deixando comunidades inteiras sem abrigo, enquanto Israel consolida um sistema de apartheid no território.
