
Palestina – Al Mayadeen. O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR) na Palestina afirma que “Israel” intensificou fortemente, nos últimos dois anos, a repressão contra jornalistas, defensores dos direitos humanos, ativistas antiocupação e organizações não governamentais locais e internacionais. Essa campanha, advertiu o escritório, tem corroído gravemente os direitos dos palestinos à liberdade de expressão, de reunião e de associação.
“Em todo o Território Palestino Ocupado, o espaço para monitorar e documentar violações e abusos de direitos humanos, buscar responsabilização por injustiças ou organizar-se e defender os direitos humanos está se reduzindo progressivamente”, acrescentou o escritório.
Segundo o OHCHR, entre 7 de outubro de 2023 e 14 de dezembro de 2025, o Escritório da ONU para os Direitos Humanos no Território Palestino Ocupado verificou “a morte de 289 jornalistas em Gaza em decorrência de operações militares israelenses, incluindo casos em que havia fortes indícios de que jornalistas palestinos foram deliberadamente alvejados por causa de seu trabalho”.
Aumento das detenções
As detenções aumentaram drasticamente. Citando o Sindicato dos Jornalistas Palestinos, o OHCHR informou que as forças de segurança e militares israelenses detiveram pelo menos 202 jornalistas palestinos em Gaza e na Cisjordânia entre 7 de outubro de 2023 e 31 de outubro de 2025. Em 31 de outubro de 2025, 41 jornalistas ainda permaneciam detidos.
“A maioria foi mantida em detenção administrativa, que no contexto da ocupação israelense da Palestina implica uma privação arbitrária de liberdade e expõe os detidos à tortura e a outros maus-tratos, bem como ao desaparecimento forçado”, declarou o escritório.
Acrescentou ainda que, desde 7 de outubro de 2023, pelo menos 85 palestinos morreram enquanto estavam sob custódia israelense.
Repressão ao jornalismo palestino e internacional
Paralelamente, afirmou o OHCHR, “Israel” continua a proibir o acesso independente de jornalistas internacionais a Gaza e impôs o que definiu como restrições indevidas à mídia estrangeira que atua na Cisjordânia ocupada.
“Enquanto jornalistas palestinos enfrentam essas perspectivas dramáticas, Israel continua a impor uma proibição total ao acesso independente de jornalistas internacionais a Gaza e restrições indevidas ao trabalho da mídia internacional na Cisjordânia”, afirmou o escritório.
O OHCHR também chamou a atenção para medidas legislativas e administrativas direcionadas à mídia estrangeira.
Segundo o escritório, o endurecimento das restrições ao jornalismo faz parte de um ataque mais amplo à sociedade civil, intensificado após 7 de outubro de 2023.
“A redução do espaço para o jornalismo independente faz parte de uma repressão mais ampla contra defensores dos direitos humanos, ativistas antiocupação e organizações da sociedade civil, intensificada desde 7 de outubro de 2023”, acrescentou.
Observou que “Israel” continua a recorrer à Lei Antiterrorismo de 2016 e aos Regulamentos de Defesa (Emergência) de 1945 para atingir ONGs palestinas, realizando incursões em escritórios, restringindo financiamentos e atividades e prendendo funcionários.
“A linguagem vaga da lei, as definições amplas e os poderes extensos concedidos ao Estado facilitaram restrições injustificadas contra palestinos envolvidos em trabalho de direitos humanos, incluindo a defesa pacífica e a mobilização”, declarou o escritório.
Obstáculos às ONGs internacionais
As ONGs internacionais também enfrentam novas barreiras. O OHCHR informou que, em março de 2025, uma decisão interministerial israelense revogou de fato o registro de todas as ONGs internacionais que operam no Território Palestino Ocupado, forçando-as a um processo de re-registro para obter permissões temporárias sob novas condições onerosas.
Essa medida, advertiu o escritório, ameaça a resposta humanitária liderada pelas Nações Unidas em Gaza e interrompe o trabalho de muitas organizações da sociedade civil palestina que dependem da cooperação com parceiros internacionais.
Gaza confinada, deslocamentos acelerados na Cisjordânia
Além das pressões legais e institucionais, o OHCHR afirmou que o espaço físico disponível para os palestinos continua a se reduzir. Em Gaza, a maioria dos residentes está confinada a menos da metade do território, limitada pelo que o escritório descreveu como uma linha arbitrária de redistribuição, ao longo da qual permanecem posicionadas unidades israelenses.
Na Cisjordânia, afirmou, “Israel” está deslocando palestinos a um ritmo sem precedentes, despovoando comunidades inteiras e abrindo caminho para a expansão dos assentamentos israelenses.
“A geografia está sendo redesenhada, e o mesmo ocorre com os limites do que é permitido aos palestinos dizer ou fazer a respeito”, declarou o OHCHR.
Ajith Sunghay, chefe do Escritório da ONU para os Direitos Humanos no Território Palestino Ocupado, advertiu que o impacto cumulativo é devastador.
“Essas violações estão criando medo e desespero e deixam os palestinos sem qualquer possibilidade de contar ao mundo a realidade de suas vidas, de exigir justiça por décadas de discriminação, violência e opressão, e de defender um futuro no qual seus direitos humanos sejam finalmente protegidos e realizados”, enfatizou Sunghay.
