Ben-Gvir propõe uma prisão “cercada por crocodilos” para detentos palestinos

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Palestina ocupada – Quds News. O ministro israelense da Segurança Nacional, de extrema direita, Itamar Ben-Gvir, propôs a criação de uma “estrutura de detenção cercada por crocodilos” para manter prisioneiros palestinos, marcando mais um passo na campanha cada vez mais opressiva de Israel contra os palestinos.

O Canal 13 de Israel informou no domingo que o Serviço Prisional Israelense (IPS) está analisando o que descreveu como uma “proposta incomum”, destinada a impedir tentativas de fuga.

Segundo o Channel 13, Ben-Gvir levantou a ideia durante um recente briefing de segurança com o comissário-chefe do IPS, Kobi Yaakobi.

O canal afirmou que o local proposto ficaria próximo a Hamat Gader, uma área de fontes termais no norte de Israel, nas Colinas do Golã sírias ocupadas.

De acordo com a mídia israelense, o resort já possui um habitat controlado para jacarés, e crocodilos seriam introduzidos para a prisão, mantidos em uma área cercada para impedir tentativas de fuga.

A proposta surge enquanto o parlamento israelense deve votar em breve um projeto de lei apresentado pelo ministro de extrema direita que permitiria a execução de detentos palestinos acusados de planejar ou realizar operações.

O projeto de lei da pena de morte ainda deve passar por mais duas leituras na Knesset, incluindo uma na próxima semana, antes de ser aprovado como lei oficial.

A medida foi inicialmente concebida para permitir que juízes aplicassem a pena de morte a palestinos condenados pelo assassinato de colonos israelenses por motivos definidos como “nacionalistas”.

A legislação não se aplicaria a colonos israelenses que matem palestinos em circunstâncias semelhantes.

Uma nova adição anunciada por Ben-Gvir no início desta semana amplia o projeto de lei para incluir também aqueles acusados de terem realizado operações em 7 de outubro de 2023, que receberiam a pena de morte como “sentença obrigatória”.

Recentemente, um relatório publicado pelo gabinete do defensor público israelense afirmou que as condições de detenção dos prisioneiros palestinos pioraram significativamente desde 7 de outubro, com muitos sofrendo de fome severa, superlotação extrema e péssimas condições sanitárias.

Ministros israelenses de extrema direita, como Ben-Gvir, frequentemente se vangloriaram de que suas políticas racistas levaram a condições mais duras para os detentos palestinos.

O relatório afirmou que a redução das rações alimentares para prisioneiros palestinos introduzida após os ataques de 7 de outubro contra Israel levou a uma “fome grave, manifestada por uma perda drástica de peso e por sintomas físicos associados, incluindo extrema fraqueza física e até desmaios”, segundo o jornal israelense Haaretz.

O relatório do defensor público, baseado em visitas a instalações de detenção israelenses como Ramon, Megiddo, Ayalon, Shatta, Eshel e Ketziot, também declarou que os detentos palestinos “são mantidos em celas escuras sem iluminação, em condições sanitárias duras, em calor sufocante e sem ventilação”.

Muitos detentos sofrem de graves problemas de saúde devido a essas condições, acrescentou o relatório.

Atualmente, mais de 10.800 palestinos estão presos nas cadeias israelenses, incluindo 450 crianças, 87 mulheres e 3.629 detentos sem acusação nem julgamento.

Segundo diversos grupos palestinos de monitoramento de prisioneiros, essas condições persistem mesmo após a assinatura do cessar-fogo em Gaza.

Desde o início da guerra genocida israelense contra Gaza, pelo menos 86 palestinos morreram sob custódia israelense, incluindo cerca de 50 provenientes de Gaza. Grupos de defesa dos direitos dos prisioneiros afirmaram que o período posterior a outubro de 2023 registrou um aumento “sem precedentes” dos “crimes sistemáticos praticados nas prisões [israelenses]”, tornando-o “o mais sangrento na história do movimento dos prisioneiros desde 1967”.

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