Genocídio na Faixa de Gaza, dia 819: Médicos Sem Fronteiras alerta sobre ameaças ao trabalho humanitário

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Gaza–InfoPal. As forças de ocupação israelenses continuam a violar o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza pelo terceiro mês consecutivo, com bombardeios, tiroteios e demolições de residências civis.

Fontes locais confirmaram que tanques israelenses abriram fogo a leste de Khan Yunis, na parte sul da Faixa.

Israel continua a violar o acordo de cessar-fogo assinado com a resistência palestina, tendo matado 422 palestinos e ferido outros 1.153.

Médicos Sem Fronteiras alerta sobre ameaças ao trabalho humanitário

Médicos Sem Fronteiras (MSF) rejeitou as acusações das autoridades israelenses de que seu pessoal estaria ligado a grupos da resistência palestina, classificando-as como alegações públicas infundadas e sem provas. A organização afirmou que as reivindicações israelenses parecem impor novas formalidades de registro para organizações, segundo requisitos israelenses novos e pouco claros.

Em uma declaração divulgada na quinta-feira, a MSF alertou que tais acusações colocam em risco as equipes médicas e podem privar centenas de milhares de palestinos de cuidados de saúde que salvam vidas, enquanto o sistema de saúde de Gaza está em colapso.

A organização declarou que ainda aguarda a renovação de seu registro para operar em Gaza e na Cisjordânia.

A MSF observou que, apesar de meses de comunicações, não recebeu critérios claros nem garantias das autoridades israelenses. Acrescentou que, em 30 de dezembro, Israel divulgou acusações públicas alegando a existência de vínculos entre membros da equipe da MSF e grupos armados.

A MSF destacou que leva tais afirmações «extremamente a sério», reafirmando que «jamais contrataria conscientemente pessoas envolvidas em atividades militares». Criticou as ações de Israel, afirmando que «formular acusações públicas sem provas verificadas coloca em risco os trabalhadores humanitários e compromete o trabalho médico que salva vidas».

A organização salientou que o sistema de saúde palestino foi devastado, com infraestruturas-chave destruídas e famílias lutando para atender às necessidades básicas. Sublinhou que «a necessidade agora é ampliar os serviços, não reduzi-los».

A MSF alertou que a perda de acesso, juntamente com outras ONGs internacionais, deixaria centenas de milhares de palestinos sem assistência básica à saúde.

Atualmente, a MSF apoia 1 em cada 5 leitos hospitalares, cobre um terço de todos os partos em Gaza e, somente em 2025, forneceu cerca de 800.000 consultas ambulatoriais, tratou mais de 100.000 ferimentos críticos, realizou 22.700 cirurgias, assistiu mais de 10.000 partos e distribuiu quase 700 milhões de litros de água.

A organização também negou relatos de que não teria cumprido as regras de registro, afirmando que está «plenamente engajada desde julho de 2025 e apresentou a maior parte das informações exigidas», continuando, ao mesmo tempo, a buscar diálogo com Israel para garantir sua capacidade de fornecer serviços essenciais e apoiar o sistema de saúde devastado de Gaza.

Em uma declaração anterior, de 22 de dezembro de 2025, a MSF havia alertado que as novas regras israelenses para registro de ONGs poderiam deixar centenas de milhares de pessoas em Gaza sem acesso a cuidados vitais até 2026. A ameaça de revogar os registros de ONGs a partir de 1º de janeiro bloquearia a continuidade de serviços essenciais tanto em Gaza quanto na Cisjordânia.

(Fontes: Quds Press, Quds News, PressTv, PIC, Al-Mayadeen; Ministério da Saúde de Gaza; Euro-Med Monitor; Telegram. Créditos de fotos e vídeos: Quds News Network, PIC, Wafa, Ministério da Saúde de Gaza, Telegram e autores individuais).

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