
PressTV. O líder da oposição na Knesset (o parlamento israelense) advertiu que o regime israelense está enfrentando uma onda sem precedentes de migração negativa, com cerca de 200.000 colonos que deixaram os territórios ocupados desde outubro de 2023.
As declarações foram feitas por Yair Lapid na segunda-feira, durante um debate especial na Knesset, na presença também do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Citando dados oficiais, Lapid afirmou que a dimensão e o perfil daqueles que estão partindo refletem uma crise cada vez mais profunda ligada ao custo de vida, à governança e à perda de confiança no futuro do regime sionista.
Segundo Lapid, foram divulgados dados do Escritório Central de Estatísticas, que mostram que há dois anos se registra “um pico de migração negativa”. “Nos últimos três anos, 200.000 pessoas foram embora”, declarou.
Lapid citou dados do CBS segundo os quais 69.300 colonos deixaram os territórios ocupados apenas no último ano, especificando que se trata predominantemente de jovens instruídos, trabalhadores ativos, contribuintes e membros das reservas militares.
De acordo com os dados, 875 médicos e 3.000 engenheiros deixaram os territórios ocupados israelenses no ano passado. “Este é o perfil de quem está indo embora”, afirmou o líder da oposição, descrevendo-os como a “espinha dorsal” do regime e “as pessoas que o mantêm vivo”.
Ele definiu o fenômeno como “um movimento inteiro de emigração”, guiado pelo desespero, advertindo que muitos “deixaram de acreditar” no futuro da entidade ilegal.
Lapid vinculou o aumento da migração negativa à crise do custo de vida, denunciando Netanyahu e seu governo por negligenciarem as pressões econômicas cotidianas, enquanto continuam a destinar bilhões de shekels todos os anos às isenções do serviço militar e aos financiamentos da coalizão.
“O custo de vida está causando o colapso de uma geração inteira de israelenses”, declarou, sustentando que o governo fracassou em enfrentar as questões relacionadas à moradia, à educação e à insegurança econômica.
Ele também criticou o governo por promover leis de isenção do serviço militar enquanto as forças israelenses continuam a sofrer mortos e feridos nas guerras.
As declarações de Lapid coincidem com um relatório recente apresentado à Comissão de Imigração e Absorção da Knesset, que documentou uma perda líquida de mais de 125.000 colonos israelenses entre o início de 2022 e agosto de 2024.
Segundo dados coletados pelo Centro de Pesquisa e Informação da Knesset, cerca de 59.400 colonos foram embora em 2022, seguidos por um número recorde de 82.800 em 2023. Nos primeiros oito meses de 2024, cerca de 50.000 pessoas deixaram os territórios.
Cost of Gaza war: 125,000 settlers fled Israel between 2022 and 2024 https://t.co/4wnVQjcoYd
— Press TV 🔻 (@PressTV) October 24, 2025
O relatório descreveu esse período como a maior perda de capital humano já registrada em um intervalo de tempo tão curto, com o presidente da comissão, o deputado Gilad Kariv, definindo a tendência como “um tsunami de israelenses que escolhem ir embora”.
O relatório da comissão observou que o aumento das partidas permanentes coincide com o período do genocídio, iniciado em 7 de outubro de 2023 e que prosseguiu até a obtenção de um frágil cessar-fogo no início de outubro.
Segundo as conclusões apresentadas aos parlamentares, a tendência deverá continuar também em 2025.
O diário econômico israelense Calcalist ofereceu um quadro ainda mais alarmante da crise, informando na terça-feira que a entidade enfrenta uma crescente fuga de cérebros, com um número elevado de profissionais altamente qualificados, especialmente no setor de alta tecnologia, deixando os territórios ocupados.
Segundo o jornal, uma “grande parte” dos 69.000 colonos israelenses que emigraram em 2025 estava empregada nos setores tecnológicos e de indústrias avançadas.
O Calcalist afirmou que a dimensão e a composição das partidas representam um desafio urgente para o regime que deverá assumir após as eleições israelenses de 2026.
“A primeira prioridade do próximo governo deve ser interromper a grave hemorragia da migração negativa de Israel”, escreveu o jornal.
O diário observou que não é necessário consultar estatísticas oficiais para compreender que muitos dos que partem são trabalhadores do setor de alta tecnologia, ressaltando que esses profissionais são mais móveis do que outros colonos e podem encontrar trabalho no exterior com mais facilidade.
Executivos de alto escalão do setor tecnológico israelense relataram ao jornal que os pedidos de funcionários para se transferirem ao exterior aumentaram drasticamente desde o início da crise política e jurídica do regime sionista, uma tendência que se intensificou ainda mais após o início da guerra.
O jornal citou Nadav Tzafrir, ex-comandante da unidade de elite de inteligência militar israelense 8200 e atual diretor-executivo da empresa de cibersegurança Check Point, que alertou na semana passada que a principal ameaça ao setor de alta tecnologia israelense e à economia em geral não é a inteligência artificial ou a transformação tecnológica, mas sim a emigração de trabalhadores qualificados.
“O perigo central para a alta tecnologia e para a economia israelense é simplesmente a fuga de cérebros”, declarou Tzafrir.
O setor de alta tecnologia desempenha um papel central na economia israelense, representando uma parcela significativa das exportações, das receitas fiscais e dos salários do setor privado.
Segundo o Calcalist, a saída de profissionais experientes corre o risco de enfraquecer a capacidade do setor de criar novas empresas, formar trabalhadores mais jovens e sustentar o crescimento de longo prazo.
O jornal também destacou efeitos econômicos mais amplos, observando que o capital gerado pelos trabalhadores da alta tecnologia sustenta o consumo, o mercado imobiliário e os serviços, contribuindo para impulsionar setores afetados pela estagnação. Um escoamento prolongado de talentos, advertiu, pode comprometer também esses benefícios indiretos.
