
Palestina Ocupada – QudsNews. Jornalistas palestinos detidos em prisões israelenses relataram abusos generalizados, incluindo espancamentos sistemáticos, fome e estupro, de acordo com um relatório do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).
Em um relatório de 19 de fevereiro, o grupo de defesa dos direitos da mídia afirmou ter entrevistado 59 jornalistas palestinos presos por Israel desde o início da guerra genocida israelense em Gaza, em outubro de 2023.
Todos, exceto um, relataram ter sofrido “tortura, abuso ou outras formas de violência”, afirmou.
Os abusos variavam de espancamentos com cassetetes e choques elétricos a posições de estresse extremamente dolorosas, inclusive sob água de esgoto, além de violência sexual. Dois jornalistas declararam ter sido estuprados.
O jornalista Sami al-Sai afirmou que soldados o despiiram e o penetraram com um cassetete e outros objetos em uma pequena cela na prisão israelense de Megiddo, uma agonia que, segundo ele, o deixou em um “estado psicológico grave”.
“As descrições de violência sexual apareceram repetidamente nos testemunhos, com jornalistas descrevendo as agressões como destinadas a humilhá-los, aterrorizá-los e marcá-los permanentemente”, afirmou o relatório do CPJ.
Outros relatos detalharam abusos psicológicos, incluindo ameaças de matar membros da família, privação de sono através de música em alto volume e negligência médica, como a negação de tratamento para fraturas ósseas graves e lesões oculares.
O jornalista Amin Baraka declarou ter sido repetidamente ameaçado por seu trabalho na Al Jazeera.
“Um soldado israelense me disse, palavra por palavra em árabe: ‘O correspondente da Al Jazeera Wael al-Dahdouh nos desafiou e permaneceu na Faixa de Gaza, então matamos sua família. Também mataremos a sua família'”, relatou Baraka ao CPJ.
“Em todas as prisões para as quais fui transferido, fui submetido a abusos físicos. Ainda sofro com os golpes no estômago… e preciso de uma cirurgia”, acrescentou.
O CPJ afirmou que os relatos de abusos por dezenas de jornalistas revelam um “padrão claro”.
“Não se trata de episódios isolados”, declarou a Diretora Regional do CPJ, Sara Qudah. “Eles revelam uma estratégia deliberada para intimidar e silenciar jornalistas, e destruir sua capacidade de testemunhar.”
Muitos dos jornalistas encarcerados também foram privados das proteções legais básicas, afirmou o CPJ.
Oitenta por cento dos entrevistados foram detidos sob o sistema israelense de detenção administrativa, o que significa que nenhuma acusação foi formalizada contra eles. Um em cada quatro declarou nunca ter podido falar com um advogado em momento algum, segundo a organização de monitoramento.
Além disso, a grande maioria dos entrevistados relatou ter experimentado “fome extrema ou desnutrição”, confirmada por fotografias examinadas pelo CPJ que mostravam os detentos com “rostos encovados, costelas salientes e bochechas fundas”.
Alguns jornalistas declararam ter sobrevivido exclusivamente com “pão mofado e comida estragada”.
O CPJ afirmou que os detentos perderam, em média, 23,5 quilogramas (54 libras) durante o período sob custódia.
“Retornamos do inferno”, disse o jornalista Imad Ifranji.
A Diretora Executiva do CPJ, Jodie Ginsberg, convidou a comunidade internacional a “agir” contra os maus-tratos generalizados a jornalistas nas prisões israelenses.
“O direito humanitário estabelece padrões inequívocos para o tratamento de detentos, e é necessária uma responsabilização significativa pelo descumprimento desses padrões”, declarou Ginsberg.
A perseguição de Israel a jornalistas palestinos durante sua guerra genocida em Gaza é bem documentada: eles têm sido alvo de ataques, mortes, fome e sequestros.
Quase 300 jornalistas e profissionais da mídia foram mortos por ataques israelenses em Gaza desde o início da guerra, segundo o Escritório de Mídia do Governo de Gaza.
