A Alemanha concede asilo a burros de Gaza, recusando evacuação médica para crianças

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Berlim – Quds News. A Alemanha teria acolhido e “salvado” alguns burros da Faixa de Gaza devastada pela guerra, enquanto se recusa a evacuar crianças palestinas feridas e doentes para tratamento médico, um gesto que evidencia como o país continua a virar as costas à causa palestina, apesar de apoiar firmemente Israel.

A imprensa alemã informou, na semana passada, que pelo menos oito burros de Gaza foram “salvos” e transportados para a Alemanha.

“Eles deixaram para trás fome e miséria, espancamentos e exploração”, começa assim um jornal alemão ao noticiar o “resgate” dos burros, sem mencionar que Israel é responsável pelo sofrimento deles após dois anos de genocídio.

O artigo observa que os burros, “considerando todas as coisas terríveis que viveram, são incrivelmente confiantes” e já “floresceram um pouco”.

As notícias provocaram indignação nas redes sociais, sobretudo porque a Alemanha se recusou a levar crianças palestinas feridas ou doentes de Gaza para tratamento médico, alegando ter de recorrer a “procedimentos complexos”.

As informações também destacaram comparações entre a postura da Alemanha em relação ao genocídio em Gaza e a guerra na Ucrânia, com mais de um milhão de ucranianos reassentados no país desde fevereiro de 2022.

Durante mais de dois anos, a Alemanha apoiou o genocídio israelense em Gaza. Em outubro de 2023, aumentou as exportações de armas para Israel, tornando-se o segundo maior fornecedor de armas do país, depois dos Estados Unidos, e descrevendo o genocídio como “autodefesa”.

Apesar do acordo de cessar-fogo assinado no mês passado, o sistema de saúde de Gaza permanece em colapso devido ao bloqueio israelense, com apenas cerca de 50% dos hospitais funcionando parcialmente, falta crônica de medicamentos e equipamentos, e 229 medicamentos essenciais completamente indisponíveis, segundo o Ministério da Saúde palestino.

Cerca de 15.000 pacientes precisam urgentemente de evacuação médica.

O Dr. Mohammed Abu Salmiya, diretor do hospital Al-Shifa, em Gaza, declarou recentemente que mais de 1.000 palestinos que necessitavam de cuidados médicos morreram desde o início da guerra por causa das contínuas restrições israelenses à entrada de suprimentos essenciais na Faixa de Gaza.

Ele acrescentou que, desde o início da trégua, em 10 de outubro, apenas 10% dos suprimentos médicos necessários entraram no enclave sitiado.

Observou ainda que mais de 350.000 pacientes com doenças crônicas precisam urgentemente de medicamentos. Enquanto isso, 22.000 palestinos necessitam de tratamento fora do país, incluindo 18.000 que já concluíram todos os procedimentos necessários para serem transferidos para fora de Gaza.

No entanto, o fechamento contínuo das passagens por Israel impede a viagem desses pacientes, afirmou Salmiya. Ele destacou que mulheres e crianças estão entre os mais vulneráveis.

Médicos Sem Fronteiras (MSF) declarou, na segunda-feira, que entre julho de 2024 e agosto de 2025, pelo menos 740 pacientes morreram enquanto aguardavam evacuação. “Esse número é provavelmente muito maior, pois muitos casos permanecem não documentados.”

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