
Roma-Il Manifesto.it. De Michele Gambirasi. Pro Pal. A Comissão Europeia toma distância, mas a Itália confirma a participação no Board de Trump para asfaltar Gaza na fórmula, não prevista, de «observador». E Tajani relata ao parlamento grandes compromissos humanitários, todos desmentidos pelos fatos ou filtrados por Israel.
Ir apenas como «observadores» ou ir para ser «protagonistas». Não há outra opção, portanto a sessão está encerrada. Na véspera da missão a Washington para participar da reunião inaugural do Board of Peace de Trump, o ministro das Relações Exteriores Antonio Tajani compareceu ontem ao Parlamento para comunicações a respeito da decisão do governo de aceitar o convite por meio da fórmula de «país observador».
AS POSIÇÕES de governo e maioria, porém, oscilam: de um lado há a adesão como «observadores», descrita como inevitável, necessária, «o Board of Peace ou a irrelevância», sobretudo para evitar ficar excluído das discussões sobre o Mediterrâneo, nó estratégico para a Itália. E porque, é a linha de Tajani, no momento não há outras possibilidades: «Se alguém considerasse que hoje existem alternativas concretas e praticáveis a este plano, demonstraria não saber fazer as contas com a realidade», disse ontem no plenário o líder do Forza Italia. «Entre Itália e EUA sempre houve relações muito fortes, independentemente de quem liderava os Estados Unidos», disse ainda Tajani, julgando «politicamente incompreensível» a ideia de deixar a mesa, para depois passar em revista todas as iniciativas do governo em relação à Faixa nos últimos anos.
Do outro lado há um novo «protagonismo» italiano ostentado das bancadas do centro-direita: «A Itália com o governo Meloni está à cabeceira dos principais fóruns internacionais no que diz respeito ao Mediterrâneo ampliado e não só», disse o deputado do FdI Emanuele Loperfido. Mesmo teor também por parte das outras forças da maioria, enquanto os vannaccianos sentados no grupo misto elevaram a aposta: «Somos favoráveis e queremos que no Board entre também a Federação Russa», disse o ex-integrante da Lega Edoardo Ziello, anunciando o voto favorável do Futuro nazionale.
PARA TAJANI não há problemas. À administração dos EUA foram sinalizados os nós constitucionais; quando chegou o novo convite por parte de Trump, a fórmula encontrada foi considerada ótima: «Esta é certamente uma solução equilibrada e respeitosa dos nossos vínculos em relação à Carta», explicou o titular da Farnesina. Diante das críticas das oposições, que sublinhavam a proximidade do Executivo com Trump mesmo ao custo do isolamento europeu, Tajani respondeu: «Se quisermos ver quem abaixou a cabeça aos americanos, poderíamos pensar em Massimo D’Alema, lembramos os ataques ao Kosovo e à Sérvia?», disse depois à tarde no Senado.
Em todo caso, a consciência do risco assumido existe, permanece um resquício de prudência. Ontem no plenário o titular da Farnesina falou de um convite «à primeira reunião», enquanto no Senado disse ter aceitado apenas «depois que a Comissão Europeia anunciou a sua participação». Ontem, entretanto, o grupo dos Socialistas pediu à Comissão esclarecimentos sobre o mandato político da missão. A esperança nos círculos do governo é que também outros países europeus cedam e enviem alguma representação no futuro, não tanto à reunião inaugural de amanhã em Washington, mas talvez, quem sabe, nas próximas semanas.
ONTEM NA CÂMARA Tajani reservou-se o direito de enumerar os nomes dos países participantes um a um, folha na mão. «Albânia, Argentina, Armênia, Azerbaijão, Bahrein, Camboja…». «Parece Bad Bunny no Superbowl», comenta alguém no Transatlântico, sublinhando a incerteza com que avançava o discurso. Além dos países, há sobretudo os nomes dos membros do comitê executivo, o círculo mágico do tycoon: Tony Blair, Jared Kushner, Marco Rubio, Steve Wirkoff. Ontem críticas também foram expressas pelo secretário de Estado, o cardeal Parolin: «O Vaticano não participará. Evidentemente há pontos que deixam perplexo, pontos críticos que precisariam encontrar explicações. O importante é que se esteja tentando dar uma resposta, mas para nós há criticidades que deveriam ser resolvidas», disse ao término da reunião bilateral que teve com o presidente Mattarella e a primeira-ministra Meloni. Palavras nada pequenas, considerando o primeiro papa estadunidense e o papel do Vaticano na área.
NESTA FRENTE se lançaram as oposições, talvez pela primeira vez unidas em política externa desde o início da legislatura. «Contornar a Constituição é como violá-la, não é uma escolha técnica, mas política. Giorgia Meloni não consegue dizer não a Trump. Queria ser ponte e mediadora, mas é apenas espectadora; a única coisa que a preocupa é não desagradar Trump», disse a secretária do Partido Democrático, Elly Schlein. «É um Board de ditadores, autocratas, financistas, bilionários. É um instrumento de total substituição das Nações Unidas, que poderia fazer uso da força militar por meio da força do dinheiro. Isto é feudalismo: ministro, escolha o senhor se quer ser um vassalo ou um valvassor», atacou Angelo Bonelli, da Avs. «O que vocês vão fazer, ser voyeurs?», a provocação de Davide Faraone, do Italia Viva. «Não se baseia na diplomacia, mas na prepotência, nos negócios. Vocês estão eternamente esperando que outros decidam para entender onde é melhor se agachar, onde é melhor se abrigar e onde é melhor abanar o rabo», reiterou Riccardo Ricciardi, do M5S.
