
Gaza – PC. Embora Israel tenha concordado em encerrar sua guerra genocida contra Gaza segundo os termos do cessar-fogo de outubro, o país vem apoiando ativamente grupos armados que planejam desestabilizar a Faixa de Gaza, de acordo com uma nova investigação da Sky News.
A emissora confirmou que quatro milícias estão operando dentro de Gaza com o apoio de Israel.
Segundo o relatório, esses grupos se consideram parte de um projeto conjunto para remover o movimento de resistência palestina Hamas do poder e estão estacionados em áreas ainda sob controle israelense, atrás do que foi chamado de “linha amarela” — uma fronteira imaginária que marca os pontos de posicionamento do exército israelense estabelecidos pelo acordo de cessar-fogo.
Hossam al-Astal, um dos líderes das milícias, disse à Sky News de sua base próxima a Khan Yunis:
“Temos um projeto oficial – eu, Yasser Abu Shabab, Rami Halas e Ashraf al-Mansi. Todos nós estamos por uma ‘Nova Gaza’. Em breve alcançaremos controle total sobre a Faixa de Gaza e nos uniremos sob um mesmo comando.”
O relatório observou que a sede de al-Astal está localizada ao longo de uma estrada militar a menos de 700 metros de um posto militar israelense.
“Estou ouvindo o som de tanques agora enquanto falo — talvez estejam em patrulha ou algo assim, mas não estou preocupado”, disse al-Astal. “Eles não nos atacam, e nós não os atacamos. Concordamos, por meio do coordenador, que esta é uma zona verde, que não deve ser alvo de bombardeios ou disparos.”
Al-Astal contou que cresceu na mesma região, mas fugiu de Gaza em 2010 após ser perseguido pelo Hamas por seus laços com grupos militantes ligados à Autoridade Palestina (AP).
4 Al-Astal was sentenced to death, but fled prison after Oct 7, like Abu Shabab
— Muhammad Shehada (@muhammadshehad2) September 19, 2025
Remarkably, Israel killed al-Astal's son-in-law & 2 of his siblings. His next door neighbours were the Sinwars.
Yet he's still working for Israel & running this gang on their behalf! pic.twitter.com/pJVCjiB3tv
Posteriormente, ele teria trabalhado para os serviços de segurança da AP no Egito e na Malásia antes de retornar a Gaza. Em 2018, foi acusado de envolvimento no assassinato de um membro do Hamas na Malásia e condenado à morte.
“Quando a guerra começou, eles nos deixaram presos, esperando que os israelenses bombardeassem a prisão e se livrassem de nós”, afirmou. “Dois meses depois, arrombamos as portas e fugimos.”
Al-Astal disse que suas armas, principalmente fuzis Kalashnikov, foram compradas no mercado negro de ex-combatentes do Hamas, enquanto munições e veículos foram entregues através da passagem de Kerem Abu Salem (Kerem Shalom), após coordenação com o exército israelense.
De acordo com a investigação, a Sky News identificou caminhões de carga chegando à base da milícia, confirmando por imagens de vídeo e satélite que os suprimentos vieram de passagens controladas por Israel.
A investigação também confirmou que as outras três milícias — lideradas por Yasser Abu Shabab, Ashraf al-Mansi e Rami Halas — recebem suprimentos de Israel por rotas semelhantes.
Um membro da milícia de Halas disse à Sky News que a coordenação com o exército israelense é feita indiretamente através do Escritório de Coordenação Distrital, um órgão do Ministério da Defesa de Israel que inclui funcionários da Autoridade Palestina. Essa informação foi corroborada por al-Astal, um soldado israelense estacionado em Kerem Abu Salem e um comandante da milícia de Abu Shabab, todos confirmando que a coordenação com o exército israelense ocorre de forma indireta e que a AP desempenha um papel-chave.
“Tenho pessoas no meu grupo que ainda hoje são funcionários da Autoridade Palestina”, disse al-Astal. “A Autoridade Palestina não pode admitir que tem uma relação direta conosco. Ela já tem problemas suficientes e não quer acrescentar mais um.”
A Sky News relatou que aeronaves israelenses intervieram em pelo menos duas batalhas envolvendo a milícia de Abu Shabab. A investigação também encontrou indícios de apoio externo às milícias.
O vice-líder da milícia de Abu Shabab, Ghassan al-Duhine, foi fotografado ao lado de um veículo com placa registrada nos Emirados Árabes Unidos (EAU). Além disso, os logotipos dos braços armados dessas milícias lembram fortemente os de milícias apoiadas pelos EAU que operam no Iêmen.
Questionado sobre possível apoio dos Emirados, al-Astal respondeu:
“Se Deus quiser, com o tempo tudo ficará claro. Mas sim, há países árabes que apoiam nosso projeto.”
Esse projeto, segundo ele, é conhecido como “A Nova Gaza.”
O Palestine Chronicle já havia relatado essa tendência em 13 de outubro de 2025, em uma investigação detalhada de Robert Inlakesh, que argumentava que Israel estava armando gangues criminosas e ex-agentes de segurança para realizar assassinatos e aterrorizar civis, descrevendo a ação como “uma continuação da guerra contra Gaza por outros meios.”
O relatório de Inlakesh alertava que a nova estratégia de Israel dependia de ‘proxies colaboradores’ em toda Gaza, a fim de manter pressão sobre a população mesmo após o cessar dos bombardeios. Ele identificou Yasser Abu Shabab e Hossam al-Astal como líderes dessas milícias, apoiadas por armas, veículos e dinheiro fornecidos por Israel.
“Esses grupos”, escreveu, “estão sendo usados para executar civis, assassinar membros das forças de segurança e até eliminar jornalistas.”
As conclusões da Sky News parecem confirmar grande parte do que o Palestine Chronicle havia relatado — que a estratégia de guerra de Israel está mudando do bombardeio direto para o controle indireto, por meio de facções armadas operando sob sua proteção.
(The Palestine Chronicle)
