“Campanha de desinformação sistemática”: o Escritório de Imprensa de Gaza rejeita as acusações dos Estados Unidos sobre o roubo de ajuda humanitária

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Gaza – PressTV. O Escritório de Imprensa do Governo de Gaza criticou duramente os Estados Unidos por conduzirem uma “campanha de desinformação sistemática” a respeito do suposto saque de ajuda humanitária no território palestino devastado pelo genocídio.

No sábado, o Escritório divulgou uma nota oficial depois que o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) publicou um vídeo filmado por um drone, alegando — sem apresentar nenhuma prova — que ele mostraria membros do grupo de resistência Hamas roubando um caminhão de ajuda humanitária em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza.

O Escritório de Imprensa rejeitou a acusação, chamando-a de “inventada e infundada”, e destacou que o CENTCOM não especificou a data nem o local do suposto roubo.

“A acusação é completamente falsa”, declarou. “Trata-se de uma tentativa deliberada de difamar a polícia, que sacrificou mais de 1.000 agentes para proteger as entregas de ajuda e os trabalhadores humanitários.”

O Escritório acrescentou que as forças israelenses têm como alvo deliberado os policiais e voluntários de Gaza, com o objetivo de criar caos e incentivar os saques no território sitiado.

Ao mesmo tempo, o Escritório de Imprensa criticou o CENTCOM por ignorar as violações diárias do cessar-fogo em Gaza cometidas por Israel e o assassinato de 250 palestinos nas últimas três semanas.

Também condenou as restrições impostas por Israel à entrada de máquinas pesadas e escavadeiras, essenciais para as operações de resgate na Faixa de Gaza.

O Escritório observou ainda que a média diária de caminhões de ajuda humanitária que entraram em Gaza desde o início da trégua, em 10 de outubro, foi de 145 veículos, ou seja, apenas 24% do número acordado de 600 caminhões por dia durante o cessar-fogo.

“O silêncio do Comando Central dos EUA diante desses crimes diários e sua preocupação em divulgar narrativas duvidosas contra as forças policiais palestinas confirmam sua total parcialidade em favor da ocupação israelense e sua perda de credibilidade”, afirmou o comunicado.

“Condenamos com a máxima firmeza essas mentiras e a campanha de desinformação que busca distorcer a realidade humanitária em Gaza e ocultar os crimes em curso da ocupação.”

Além disso, o Escritório de Imprensa de Gaza pediu aos mediadores e aos Estados garantes da trégua que obrigassem o regime de ocupação a cumprir os termos do acordo e a honrar plenamente seus compromissos.

Após negociações indiretas no Egito, Israel e Hamas chegaram, no mês passado, a um acordo de trégua para Gaza, proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A primeira fase do acordo previa que o Hamas libertasse 20 prisioneiros israelenses sobreviventes e entregasse 28 corpos de israelenses mortos, em troca da libertação, por Israel, de cerca de 2.000 palestinos sequestrados e da devolução dos corpos de 360 palestinos mortos durante o ataque a Gaza.

Até o momento, o Hamas entregou todos os 20 prisioneiros israelenses vivos e os restos mortais de outros 17, enquanto Israel libertou quase 2.000 palestinos — detidos ilegalmente pelo regime — e devolveu os corpos de 225 palestinos.

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