
Quds News. Centenas de colonos israelenses marcharam em direção a Gaza, na quinta-feira, junto com seus filhos, pedindo a construção de assentamentos ilegais e a ocupação do enclave palestino.
Os organizadores do Movimento Nahala afirmaram que cerca de 1.500 colonos se reuniram ao longo da fronteira com Gaza, na quinta-feira, e marcharam em direção à Faixa carregando bandeiras israelenses.
“Gaza pertence ao povo de Israel”, declarou a líder dos colonos israelenses, Daniella Weiss, acrescentando que a marcha tinha como objetivo exigir assentamentos israelenses em Gaza e uma presença israelense permanente, segundo o que foi relatado pelo Jerusalem Post. Weiss, uma figura de referência do movimento dos colonos, passou 50 anos “dedicados a construir a terra de Israel”, como ela afirma, desempenhando um papel na criação de cada um dos 141 assentamentos e dos 224 postos avançados na Cisjordânia ocupada.
A surreal, chilling footage of Israelis marching with their children, some in strollers, into Gaza, seeking to colonise the ruins of an ongoing genocide. A scene so grotesque it feels scripted, yet it’s tragically real. pic.twitter.com/paSNzfpDNv
— Falastin Flip (@TOliveFern) February 6, 2026
Em um vídeo, ela declarou: “A história dos palestinos acabou. Eles ainda estão lá, mas não está longe o dia em que eles [os palestinos] irão embora”. À marcha também se juntou a parlamentar israelense de extrema direita Limor Son Har-Melech, defensora da ocupação de Gaza e da reconstrução dos assentamentos. A Corte Internacional de Justiça (CIJ) decidiu em 2024 que a presença continuada de Israel no território palestino ocupado é ilegal e deve terminar “o mais rapidamente possível”.
Israeli settler leader Daniella Weiss said that “the day is not far off when [Palestinians] will leave” Gaza as tens of fellow settlers marched towards the border fence with Gaza, vowing the establishment of settlements in the strip pic.twitter.com/GNlJb3nrvD
— Middle East Eye (@MiddleEastEye) February 6, 2026
O ano passado foi um dos mais violentos já registrados no que diz respeito aos ataques de colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia ocupada, segundo dados das Nações Unidas que mostram que mais de mil palestinos foram mortos entre 7 de outubro de 2023 e 17 de outubro de 2025, em ataques israelenses conduzidos pelas forças israelenses e por colonos, incluindo mais de 220 crianças.
Em 2025, o OCHA documentou pelo menos 1.680 ataques de colonos, uma média de cinco por dia, e um total de 240 palestinos na Cisjordânia, incluindo 55 crianças, foram mortos pelas forças israelenses ou por colonos.
A B’Tselem, um grupo israelense de direitos humanos, afirmou que os colonos estão atacando os palestinos “diariamente”, “atirando, espancando e ameaçando os moradores, lançando pedras, incendiando campos, destruindo árvores e plantações, roubando produtos, bloqueando estradas, invadindo casas e queimando automóveis”.
Os assentamentos israelenses são ilegais segundo o direito internacional. Hoje, de 600.000 a 750.000 colonos vivem em mais de 250 assentamentos e postos avançados em toda a Cisjordânia e em Jerusalém Oriental ocupada.
Muitos deles estão localizados próximos a cidades e vilarejos palestinos, frequentemente causando ataques contra os moradores palestinos e graves restrições à liberdade de movimento dos palestinos.
O número de assentamentos e postos avançados ilegais na Cisjordânia e na Jerusalém ocupada aumentou em quase 50 por cento desde 2022, passando de 141 para os atuais 210.
A marcha ocorreu enquanto Israel continua a violar o cessar-fogo que entrou em vigor em outubro, matando centenas de civis e restringindo a entrada de ajuda tão necessária.
