
Os israelenses estão determinados a apagar as evidências do genocídio de “israel” em Gaza, por meio do uso de propagandistas pagos e instruídos para remodelar o registro histórico. Sionistas também assumiram o controle das plataformas de mídia social. Aqueles que criticam “israel” estão sendo censurados ou presos.
Por Robert Inlakesh*
Do YouTube ao X, Wikipedia e TikTok, os sionistas estão capturando todos os meios de comunicação para apagar as provas de seu genocídio, remodelar o registro histórico e censurar seus críticos. Enquanto isso, o lobby israelense exerce seu poder por meio da intimidação, do pagamento a influenciadores para endossá-lo e da prisão de dissidentes, enquadrando-os como terroristas.
Em agosto, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu admitiu a repórteres que Tel Aviv estava perdendo a guerra de propaganda. “Acho que não estamos vencendo [a guerra de propaganda], para dizer o mínimo… Há forças vastas alinhadas contra nós”, afirmou na época, culpando os algoritmos por essa derrota. Desde então, Israel vem trabalhando para desmontar a liberdade de expressão e censurar tudo o que o critique nas redes sociais, como parte de uma ofensiva abrangente.Essa coletiva de imprensa não foi um acidente; fez parte de um esquema muito maior que começou em julho, com uma campanha direcionada a doutrinar conservadores de direita no Ocidente. O plano de propaganda foi elaborado em três partes: a primeira consistia nas participações de Netanyahu em vários podcasts de direita; a segunda, em uma campanha de censura nas redes sociais; e a terceira, no financiamento de viagens de propaganda a Israel para influenciadores de direita.
A participação de Benjamin Netanyahu no podcast Nelk Boys foi sua primeira tentativa de reviver o apoio da direita a ele pessoalmente, mas recebeu enorme reação negativa na época. Os apresentadores foram amplamente condenados por normalizarem o premiê e por não fazerem perguntas críticas a ele — um político sobre quem há um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra.
Em seguida, o premiê israelense iniciou uma série de entrevistas coordenadas na mídia corporativa americana, sendo também recebido por diversos podcasters de direita. A diferença entre a mídia corporativa e os podcasters era que estes últimos foram ainda menos críticos e trabalharam ativamente para melhorar sua imagem.
Esses apresentadores desonestos de podcasts até tentaram se apresentar como desafiando a “cultura do cancelamento”, sendo ousados e “contra o sistema”, apesar de estarem apenas desempenhando um papel ainda mais fraco que o da mídia corporativa — lutando apenas contra seus próprios seguidores.
Enquanto isso, nos bastidores, o TikTok contratou Erica Mindel — uma ex-soldada israelense e ex-funcionária da ADL (Liga Antidifamação) que abertamente se gabava de sua lealdade a Israel — como sua nova “czarina da censura de discurso de ódio”. Uma medida que passou quase despercebida, mas que começou a moldar o que era considerado discurso aceitável na plataforma.
Paralelamente, o Ministério das Relações Exteriores de Israel já havia financiado viagens para 16 influenciadores de direita visitarem Israel em excursões de propaganda cuidadosamente coordenadas. O objetivo era levar 550 desses influenciadores em viagens totalmente custeadas até o fim do ano — o que mais tarde incluiria figuras como Tommy Robinson e até a ex-rapper Azealia Banks.
Durante sua visita à Casa Branca, em outubro, Benjamin Netanyahu participou de uma reunião com influenciadores de direita e discutiu abertamente ideias para capturar plataformas de mídia social. Nesse ponto, a agenda para eliminar conteúdos críticos a Israel já estava em andamento, enquanto o aplicativo TikTok — que o lobby israelense tentara proibir apenas um ano antes — caía nas mãos de bilionários pró-Israel.
O segundo homem mais rico do mundo e principal doador das forças armadas israelenses, Larry Ellison, é uma figura central nesse cenário, já que sua empresa, Oracle, está prestes a assumir o controle do TikTok. O movimento foi recentemente elogiado pelo Times of Israel como algo que “aumenta as esperanças de regras mais duras contra o antissemitismo”.
Enquanto isso, Ellison estava ocupado comprando a CBS News e nomeando a jornalista Bari Weiss — totalmente inexperiente e veementemente pró-Israel — como principal executiva do canal. Weiss, cuja fama veio de um breve período como colunista de opinião no New York Times, antes de sair e tentar construir uma carreira como comentarista de direita e, depois, como proprietária de um veículo de mídia, claramente não possui experiência para o cargo. Coincidentemente, Ellison é também um dos principais acionistas da Tesla e da X, ambas de Elon Musk.
No início de outubro, o YouTube decidiu silenciosamente excluir pelo menos 700 vídeos da plataforma que documentavam violações de direitos humanos por Israel, juntamente com as contas de três proeminentes grupos palestinos de direitos humanos: Al-Haq, Centro Al-Mezan e Centro Palestino de Direitos Humanos. O Intercept publicou um artigo explicando que a medida foi uma capitulação às recentes sanções de Donald Trump, decretadas para proteger Israel de ser responsabilizado por seus amplamente documentados crimes de guerra.
Há ainda o cofundador da Wikipedia, Jimmy Wales, que se manifestou contra a página do site dedicada ao Genocídio em Gaza, afirmando que ela “precisa de atenção imediata”. “No momento, a introdução e a apresentação geral afirmam, na voz da Wikipedia, que Israel está cometendo genocídio, embora essa alegação seja altamente contestada”, disse Wales, alegando que isso viola o ponto de vista “neutro” da plataforma.
Atualmente, todas as principais organizações de direitos humanos — incluindo a israelense B’Tselem —, todas as principais instituições jurídicas relevantes, as Nações Unidas e o corpo mais representativo de estudiosos do genocídio concordam que Israel está cometendo genocídio. De fato, a decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ) sobre o assunto considera o caso um genocídio plausível. Os únicos que contestam esse fato são os próprios israelenses, propagandistas sionistas ideologicamente comprometidos e/ou pagos, além de aliados de Israel também implicados no “crime dos crimes”.
A verdade objetiva, porém, não é relevante para esses agentes de má-fé. Isso porque Israel e seus poderosos braços de lobby estão ativamente empenhados em uma repressão total contra críticas aos crimes de guerra israelenses. No X (Twitter), um novo aviso de censura passou a ser aplicado a todas as imagens e vídeos de Gaza que mostram crimes de guerra israelenses.
O que está ocorrendo agora é uma tentativa generalizada de eliminar conteúdos da internet, apagar a verdade, banir, deportar e prender os críticos de Israel — tudo isso enquanto o lobby israelense coloca as redes sociais e a mídia corporativa sob seu controle direto, usando como pretexto o “antissemitismo” e o “terrorismo”.
A ofensiva de censura de Israel — que a administração Trump colabora para completar — é, de longe, a pior forma de “cultura do cancelamento” já vista. A repressão em andamento à liberdade acadêmica, por exemplo, com o objetivo de silenciar críticas a Israel, é a mais severa da história dos Estados Unidos. Enquanto isso, a ADL acaba de criar um “monitor Mamdani” para vigiar o prefeito eleito democraticamente de Nova York.
* Jornalista, escritor e documentarista. Artigo publicado em Palestine Chronicle em 06/11/2025.
