
Gaza – PressTv. Francesca Albanese, Relatora Especial das Nações Unidas sobre a situação dos direitos humanos nos Territórios Palestinos Ocupados desde 1967, emitiu uma declaração afirmando que há provas de que prisioneiros palestinos provenientes de Gaza foram submetidos a tortura pelo regime israelense desde fevereiro de 2024.
Em uma publicação feita na segunda-feira na plataforma X, Albanese denunciou que Israel continua a escapar de qualquer forma de responsabilização por esses crimes.
A Relatora Especial fez referência a um relatório publicado pelo jornal britânico The Guardian, que revelou as condições infernais na prisão israelense de “Rakefet”, onde prisioneiros palestinos são mantidos no subsolo e na escuridão.
A investigação exclusiva do The Guardian descreve a situação de dezenas de palestinos encarcerados em um centro subterrâneo conhecido como Rakefet, onde são privados da luz solar, de alimentação adequada e de qualquer contato com suas famílias ou com o mundo exterior.
As informações se baseiam em depoimentos de advogados do Comitê Público contra a Tortura em Israel (PCATI), que visitaram a instalação e entrevistaram dois prisioneiros civis.
O relatório destaca que muitos detidos não são combatentes, e que suas detenções são regularmente prorrogadas por meio de audiências em vídeo que duram poucos minutos, sem assistência jurídica.
Os tribunais israelenses justificam essas extensões com a fórmula: “até o fim da guerra”.
Em ocasiões anteriores, prisioneiros palestinos libertados relataram experiências de tortura que os deixaram feridos, doentes e traumatizados.
Nas últimas semanas, Israel libertou cerca de 2.000 prisioneiros palestinos como parte de uma troca de detidos que incluiu 33 prisioneiros do Hamas e cinco cidadãos tailandeses, no contexto de um cessar-fogo iniciado em 19 de janeiro, após 15 meses de guerra.
Um dos libertados, Ibrahim Al Shawish, de 45 anos, professor de Beit Hanoun (norte de Gaza), relatou ao jornal The National seu pesadelo após ter sido preso em dezembro de 2023 em uma escola.
“Os soldados me despiram completamente no frio e me arrastaram sobre cacos de vidro, ferindo meu corpo”, disse Al Shawish. “Eles me insultavam de forma obscena, inclusive contra minha família, e não recebi nenhum atendimento médico. As feridas infeccionaram, e sofri dores atrozes por semanas.”
Relatos de remoção de órgãos de corpos de palestinos falecidos
Restos mortais de palestinos mortos e devolvidos por Israel mostram sinais de remoção de órgãos realizada com precisão cirúrgica para fins de transplante, alertou um médico.
O cirurgião anglo-palestino Dr. Ghassan Abu Sittah declarou no domingo ter visto “fotografias dos corpos entregues pelo exército israelense ao Ministério da Saúde palestino”, mostrando que “pulmões, coração, rins e fígado foram removidos cirurgicamente, com serras ósseas profissionais e sem danos aos tecidos ao redor”.
Suas observações coincidem com as do diretor do Escritório de Mídia do Governo de Gaza, Ismail al-Thawabta, que denunciou que as forças israelenses roubaram órgãos dos corpos de palestinos mortos e pediu uma investigação internacional imediata.
Al-Thawabta descreveu dezenas de corpos mutilados, dos quais faltavam partes vitais, incluindo olhos, membros e órgãos internos.
Balanço do genocídio em curso
Desde 7 de outubro de 2023, quando o regime israelense lançou sua ofensiva genocida contra a população de Gaza, quase 69.179 palestinos foram mortos e cerca de 171.000 ficaram feridos, a maioria mulheres e crianças.
O ataque também desalojou quase todos os 2,3 milhões de habitantes, provocou uma crise alimentar em massa e consolidou o que organizações humanitárias e observadores internacionais descrevem como um verdadeiro genocídio.
