
Gaza (QNN) – O exército israelense está transformando a chamada “Linha Amarela” em uma fronteira física, apesar de ela ter sido inicialmente concebida como uma demarcação temporária. Segundo uma reportagem do Haaretz, as forças, nos últimos meses, estabeleceram novos postos ao longo da linha e construíram uma barreira terrestre, reforçando declarações de Eyal Zamir, que a descreveu como a “nova linha de fronteira”.
O Haaretz informou na quinta-feira, citando imagens recentes de satélite, que as forças estabeleceram novos postos ao longo da linha, realizando trabalhos de infraestrutura e transferindo equipamentos e instalações. Ao mesmo tempo, estão implementando um projeto de engenharia em larga escala: a construção de uma barreira terrestre que se estende por muitos quilômetros ao longo da linha. A linha deixa mais da metade da Faixa sob controle de Israel.
A reportagem acrescentou que atualmente não existe um mecanismo detalhado que regule uma retirada dessa área.
O que é a Linha Amarela?
Em 10 de outubro de 2025, as forças israelenses concluíram a primeira fase de retirada, conforme o acordo de cessar-fogo, até a “Linha Amarela”, uma linha de demarcação não física que separa as forças de ocupação israelenses de certas áreas de Gaza, ao mesmo tempo em que mantém a ocupação de mais de 53% da Faixa.
A “Linha Amarela” refere-se a zonas militares designadas por Israel e áreas de amortecimento dentro da Faixa de Gaza.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que qualquer pessoa que permaneça além da Linha Amarela será alvo sem aviso prévio.
De acordo com um mapa israelense apresentado no plano de cessar-fogo de 20 pontos para Gaza sob o então presidente dos EUA Donald Trump, a Linha Amarela se estende do sul do norte de Gaza até os arredores de Rafah, no sul da Faixa de Gaza.
As forças israelenses permanecem posicionadas no bairro de Shejaiya, em partes de Tuffah e Zeitoun na Cidade de Gaza, bem como em Beit Hanoun e Beit Lahiya no norte, Rafah no sul e ao longo da costa de Gaza.
Assim, a linha divide Gaza em duas zonas: uma área oriental sob controle militar israelense e uma área ocidental onde os palestinos vivem, para onde foram forçados a se deslocar e onde permanecem sob constante ameaça de ataques israelenses.
As forças israelenses abrem fogo diretamente contra qualquer palestino que cruze essa “Linha Amarela” ou mesmo se aproxime dela, sem aviso prévio.
Palestinos que retornam às suas casas destruídas durante o cessar-fogo têm sido atacados pelas forças israelenses nas proximidades da linha.
O exército israelense afirmou ter colocado blocos de concreto amarelos para marcar o limite imaginário, uma linha que, para os palestinos, separa a vida da morte.
Segundo o porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), “a marcação está sendo realizada em barreiras de concreto com um poste pintado de amarelo no topo, com 3,5 metros de altura”, acrescentando que essas barreiras “estão sendo colocadas a cada 200 metros”.
Mapas militares israelenses indicam que a linha se estende de 1,5 km a 6,5 km dentro de Gaza a partir de sua fronteira oriental com Israel, cobrindo aproximadamente 58% do enclave.
Durante uma visita à Faixa de Gaza em dezembro, o chefe do Estado-Maior do exército israelense, Eyal Zamir, afirmou de forma inequívoca que a “Linha Amarela” é “uma nova linha de fronteira”.
Essa linha imaginária determina quais ruas e áreas são seguras e quando é hora de fugir. Segundo agências da ONU, organizações humanitárias que atuam em Gaza e imagens de satélite, as forças israelenses vêm expandindo a “Linha Amarela” para áreas sob controle palestino.
Israel não tem planos de se retirar da “Linha Amarela” no leste da Faixa de Gaza. Isso foi anunciado no programa “This Morning”, com Ilael Shahar, no canal de notícias Channel 2.
A emissora pública israelense, conhecida como Kan, também informou que autoridades israelenses consideram a chamada “Linha Amarela” como uma área estratégica que permanecerá sob controle israelense.
Segundo a ONU, mais de 200 palestinos foram mortos nas proximidades dessa linha, incluindo mulheres e crianças.
O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR) identificou um “padrão contínuo de ataques direcionados a palestinos aparentemente apenas por sua proximidade com as linhas de posicionamento das forças israelenses em Gaza”, classificando isso como crime de guerra.
De acordo com a reportagem do Haaretz, desde o anúncio do cessar-fogo, as forças construíram sete novos postos ao longo da linha, conforme observado em imagens de satélite. Em cinco desses postos em Gaza, o solo foi coberto com asfalto, permitindo atividades operacionais prolongadas.
A análise das imagens de satélite mostra que as forças estabeleceram posições nas regiões norte, leste e sul da Faixa. Atualmente, mantêm pelo menos 32 postos, a maioria construída antes do cessar-fogo. Alguns estão localizados próximos à Linha Amarela, enquanto outros ficam mais ao interior de áreas ocupadas por Israel. Muitos estão equipados com infraestrutura de eletricidade e iluminação, mastros de comunicação, escavadeiras e outros equipamentos.
As forças estabeleceram postos em pontos estratégicos em Gaza, incluindo Tel al-Muntar, Jabalia e Beit Hanoun, com alguns construídos ao redor de edifícios de vários andares que sobreviveram, como um hospital financiado pelo Catar em Rafah.
Muitos desses postos estão situados entre as ruínas de áreas agrícolas e residenciais, incluindo locais onde antes existiam mesquitas e um cemitério destruído durante a guerra. Operações de limpeza também estão em andamento em Shujaiyeh, onde anteriormente havia outro cemitério.
