

Gaza–InfoPal. Israel continua violando o cessar-fogo pelo 61º dia consecutivo, bombardeando a Faixa de Gaza, matando diariamente e destruindo o pouco que ainda resta de edifícios em pé. O “plano de paz Trump” é uma isca para distrair a atenção global do genocídio israelo-estadunidense em Gaza e para permitir, sem grandes interferências, a continuidade do projeto de ocupação e transformação da região costeira, esvaziando-a o máximo possível de seus habitantes e convertendo-a em uma empresa comercial, como já anunciado várias vezes pelo presidente dos EUA e seus colaboradores.
O plano real é levar adiante, como tem ocorrido nestes últimos dois meses, uma guerra genocida/holocáustica de baixa intensidade, com uso de drones e artilharia, menos arriscada para os soldados de ocupação e muito menos visível mediaticamente. O restante do mecanismo genocida permanece inalterado, com a continuação do bloqueio por todos os lados, da “engenharia da fome” (criada artificialmente com a entrada mínima de ajuda alimentar), da destruição do que resta dos edifícios, dos obstáculos paralisantes ao atendimento médico e assim por diante.
A limpeza étnica genocida, portanto, prossegue, mas a opinião pública mundial, manipulada pelos meios de comunicação hegemônicos, está anestesiada e tornada cega pela propaganda israelo-ocidental que divulga a mentira do cessar-fogo. Os leitores dos sites de notícias sobre a Palestina e sobre o genocídio diminuíram drasticamente, na ilusão de uma “paz” que é apenas uma farsa.
Na tarde de quarta-feira, o exército israelense genocida abriu fogo a leste de Jabalia, no norte da Faixa de Gaza, matando um homem e uma mulher palestinos e ferindo uma terceira pessoa, enquanto contínuos ataques de artilharia e extensos trabalhos de nivelamento continuam destruindo bairros residenciais inteiros no enclave devastado pela guerra.
Especialista da ONU define como “catastrófica” a crise humanitária em Gaza e condena o silêncio global
O relator especial das Nações Unidas para o direito à moradia, Balakrishnan Rajagopal, descreveu a situação humanitária na Faixa de Gaza como “catastrófica”, devido à recusa de Israel em respeitar as suas obrigações previstas no acordo de cessar-fogo.
Em uma entrevista ao canal Al Jazeera, na terça-feira, Rajagopal criticou o silêncio do mundo sobre as restrições impostas por Israel à entrada de ajuda em Gaza.
“O que está acontecendo em Gaza é um genocídio lento e um nível de sofrimento que nunca vimos antes em nenhum conflito”, afirmou o especialista das Nações Unidas.
Município de Gaza alerta para tempestade de inverno mortal enquanto famílias deslocadas enfrentam condições catastróficas
Na quarta-feira, o Município de Gaza alertou que uma tempestade polar de baixa pressão representa um grave perigo para famílias e moradores deslocados, no contexto da destruição massiva causada pelo genocídio israelense, que levou ao colapso quase total das infraestruturas da Faixa.
O porta-voz do Município, Husni Muhanna, afirmou que as recorrentes tempestades de inverno representam agora “uma ameaça direta à vida de centenas de milhares de civis”, especialmente para aqueles que vivem em campos de refugiados sem estruturas de proteção.
Muhanna observou que as forças de ocupação israelenses destruíram mais de 85% dos equipamentos do Município, comprometendo a capacidade das equipes de emergência de responder às inundações, bombear a água acumulada e apoiar os residentes nas áreas afetadas.
Ele acrescentou que as fortes chuvas das últimas horas já inundaram milhares de tendas em toda a Faixa. As famílias deslocadas, afirmou, vivem em abrigos improvisados que não conseguem resistir à chuva, ao vento ou às temperaturas geladas, alertando que as condições estão evoluindo rapidamente para um “desastre humanitário complexo”.
Muhanna relatou uma grave escassez de materiais essenciais para os trabalhos municipais e pediu uma pressão internacional imediata sobre Israel para permitir a entrada de equipamentos de emergência, materiais para abrigos e suprimentos humanitários básicos.
Segundo dados publicados anteriormente pelo Escritório de Imprensa do Governo, Gaza necessita de quase 300 mil tendas e unidades habitacionais pré-fabricadas para fornecer sequer um abrigo mínimo aos deslocados, após dois anos de destruição sistemática de infraestruturas, serviços públicos e áreas residenciais.
Chuvas e situação devastadora
As chuvas de inverno estão novamente encharcando as tendas improvisadas das famílias deslocadas na Faixa de Gaza devastada pela guerra, deixando-as vulneráveis ao frio e às intempéries.
Enquanto Israel continua bloqueando a ajuda e os esforços de reconstrução, dezenas de milhares de pessoas permanecem presas em abrigos frágeis que oferecem pouca ou nenhuma proteção contra o clima.
(Fontes: Quds Press, Quds News, PressTv, PIC, Al-Mayadeen; Ministério da Saúde de Gaza; Euro-Med Monitor, Telegram; créditos de fotos e vídeos: Quds News Network, PIC, Wafa, Ministério da Saúde de Gaza, Telegram e autores individuais).
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