
Beirute – PC. O movimento libanês Hezbollah publicou uma carta aberta em que reafirma seu compromisso com a unidade nacional, a proteção da soberania libanesa, a manutenção da estabilidade interna, bem como seu “direito legítimo de resistir à ocupação e à agressão”, informou na quinta-feira o canal Al Mayadeen.
A carta, dirigida ao presidente Joseph Aoun, ao primeiro-ministro Nawaf Salam, ao presidente do parlamento Nabih Berri e ao povo libanês, também expressa a intenção do Hezbollah de contribuir para a construção de uma posição nacional unificada em resposta à contínua agressão israelense contra o Líbano e às persistentes violações do acordo de cessar-fogo assinado em novembro de 2024, segundo o relatório.
Hezbollah has issued an open letter affirming its right to resist as legitimate defense, blasting the government's decisions for further emboldening "Israel", which has not abided by the ceasefire agreement. #Lebanon https://t.co/TfcIW0ohuy
— Al Mayadeen English (@MayadeenEnglish) November 6, 2025
O Hezbollah destacou que, embora o movimento e o governo libanês tenham cumprido rigorosamente o cessar-fogo, Israel continua a violá-lo por terra, ar e mar, acrescenta o documento.
De acordo com o movimento, essas hostilidades contínuas, “somadas à chantagem política”, refletem a intenção de Israel de impor submissão ao Líbano e extorquir concessões, “em linha com seus interesses no Líbano e na região, como demonstra sua intenção de anexar à força a Cisjordânia”.
O movimento criticou o que chamou de “erro apressado do governo” na questão do “monopólio das armas”, argumentando que essa medida foi utilizada por Israel para exigir o desarmamento da Resistência como pré-condição para interromper a agressão, algo não incluído nos termos do cessar-fogo e categoricamente rejeitado pelo Hezbollah, segundo o relatório.
Desmantelamento das capacidades armamentistas
O Hezbollah também “afirmou que a questão das armas não deve estar sujeita a ditames estrangeiros nem a interpretações oportunistas de atores externos”.
Pelo contrário, na carta o movimento “pediu que qualquer discussão sobre o tema ocorra dentro de um quadro nacional baseado no consenso e em uma estratégia abrangente de segurança e defesa que proteja a soberania do Líbano”.
O grupo advertiu que Israel “não visa apenas o Hezbollah, mas trabalha ativamente para enfraquecer o Líbano como um todo.”
“O objetivo”, dizia a carta, “é desmantelar qualquer capacidade de resistência, enfraquecer o Estado libanês e forçar sua submissão aos interesses sionistas e ocidentais.”
“Defesa legítima”
“Como componente fundamental do Líbano, a nação à qual nos comprometemos como pátria definitiva de todos os seus filhos, reafirmamos nosso direito legítimo de resistir à ocupação e à agressão”, dizia a carta.
“A defesa legítima não se enquadra no âmbito das ‘decisões de guerra ou de paz’; trata-se, sim, do exercício de nosso direito de resistir a um inimigo que impõe guerra ao nosso território, se recusa a cessar seus ataques e busca submeter o nosso Estado.”
O Hezbollah também exortou todas as facções libanesas a adotarem uma posição nacional unificada e digna.
Na carta, o grupo sustentou que somente tal unidade pode enfrentar eficazmente as ameaças externas, defender os direitos soberanos do Líbano e resistir às tentativas de privar o país de sua capacidade de se defender e manter sua independência.
A rejeição de Qassem
O governo libanês aprovou em 5 de agosto um plano baseado em um projeto de proposta apresentado pelo enviado especial dos Estados Unidos, Tom Barrack, que prevê colocar todas as armas — inclusive as detidas pelo Hezbollah — sob controle estatal, e encarregou o Exército de elaborar e implementar o plano até o final de 2025, informou a agência Anadolu.
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou repetidamente a proposta e insiste que as forças israelenses devem se retirar completamente do território libanês antes que ocorra qualquer desarmamento.
O Conselho de Ministros do Líbano deve se reunir na quinta-feira para discutir o segundo relatório informativo do Exército sobre o processo de desarmamento.
Não houve comentários imediatos das autoridades libanesas sobre a carta, informou a Anadolu.
Violações do cessar-fogo
A carta do Hezbollah foi publicada no contexto das contínuas violações do acordo de cessar-fogo por parte de Israel.
O Al Mayadeen citou a UNIFIL como fonte confirmando uma onda de violações israelenses por terra, ar e mar, incluindo voos de reconhecimento e bombardeios limitados nas proximidades de vilarejos como Aita al-Shaab e Hula.
Esses incidentes reacenderam os temores de um novo confronto, provocando protestos oficiais de Beirute e uma nova condenação ao não cumprimento, por parte de Tel Aviv, da Resolução 1701, segundo o relatório.
The aftermath of the Israeli occupation airstrike that targeted the town of Al-Taybeh in southern Lebanon. pic.twitter.com/cndJ7meuI6
— Quds News Network (@QudsNen) November 6, 2025
Na última violação do cessar-fogo, ocorrida na quinta-feira, uma pessoa foi morta e outras três ficaram feridas em um novo ataque aéreo israelense no sul do Líbano, informou o Ministério da Saúde.
O canal israelense Channel 12 informou anteriormente que Tel Aviv está se preparando para outro possível confronto com o Hezbollah.
Na quarta-feira, uma pessoa foi morta e outra ferida em um ataque com drone israelense que teve como alvo um veículo na cidade de Burj Rahhal, no distrito de Tiro.
