
Cisjordânia ocupada – Al Mayadeen. Desde o início da guerra contra Gaza, em 7 de outubro de 2023, “Israel” instalou quase 1.000 novos postos de controle militar, portões e bloqueios de estrada em cidades e vilas da Cisjordânia ocupada, restringindo severamente a movimentação dos palestinos e interrompendo a vida cotidiana, segundo um órgão do governo palestino citado pelo The Washington Post nesta quinta-feira.
A Comissão de Resistência ao Muro e aos Assentamentos, uma agência oficial palestina, relatou que 916 barreiras foram erguidas em toda a Cisjordânia desde o início da guerra em Gaza, no que moradores descrevem como a repressão mais ampla à circulação em anos.
Embora “Israel” imponha restrições na Cisjordânia desde o início da ocupação em 1967, moradores afirmam que a recente expansão representa um nível de controle sem precedentes.
Segundo o Washington Post, as novas barreiras incluem portões metálicos nas entradas de vilas e cidades, bem como entre centros urbanos, controlados por forças de ocupação.
Moradores relatam que a abertura desses portões é imprevisível — alguns permanecem fechados por dias, forçando palestinos a percorrer longas distâncias a pé, hospedar-se com parentes ou abandonar completamente planos de viagem.
De acordo com as Nações Unidas, 18 novos portões foram instalados apenas nas duas primeiras semanas de setembro. Além dos portões, há montes de terra e blocos de concreto colocados no meio das estradas para impedir a passagem de veículos.
A ONU alertou que esses obstáculos limitam o acesso a serviços de saúde, educação e trabalho, especialmente porque alguns portões agora separam o norte e o sul da Cisjordânia, transformando viagens curtas em trajetos de várias horas para os três milhões de palestinos que vivem na região, segundo o Washington Post.
A vida cotidiana sob ameaça
Ezzedine Al-Sayouri, dono de uma academia em Deir Dibwan, disse que as restrições interromperam completamente seu negócio.
“Nas circunstâncias atuais, tudo foi cortado. Tudo parou”,
afirmou, acrescentando que pensa em fechar a academia e deixar o país.
Na vila de Aboud, moradores relatam que o portão fecha todos os dias entre 6h e 9h, tornando quase impossível para estudantes irem às universidades e trabalhadores chegarem aos empregos.
“Faz parte da estratégia da ocupação para desestabilizar o senso de segurança das pessoas”,
disse Mohammad Shalatweh, motorista de táxi local.
Em Sinjil, o dono de restaurante Eyad Jameel diz temer pela segurança do filho toda vez que ele viaja para Ramallah.
“Eles nem sempre abrem os portões; simplesmente os fecham e prendem todo mundo”,
relatou.
Muitos desses portões agora estão equipados com câmeras de vigilância, adicionando mais uma camada de controle sobre a movimentação dos palestinos.
