Com mais de 112.000 mortos, um novo estudo relaciona o massacre de Gaza aos genocídios do passado

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Gaza - MEMO. Um novo e devastador estudo revelou que mais de 112.000 palestinos foram mortos na Faixa de Gaza desde que Israel lançou sua ofensiva em outubro de 2023. Esse número, resultado da análise demográfica mais ampla já realizada até agora, supera em muito o balanço oficial de vítimas e revela um padrão de mortes que, segundo os pesquisadores, reflete genocídios anteriores documentados pelas Nações Unidas.

O estudo, conduzido por pesquisadores do Max Planck Institute for Demographic Research, na Alemanha, e do Centre for Demographic Studies, na Espanha, foi publicado na revista científica Population Health Metrics. Os pesquisadores estimam que entre 99.997 e 125.915 palestinos morreram em Gaza entre 7 de outubro de 2023 e 6 de outubro de 2025, com uma estimativa mediana de 112.069.

As conclusões baseiam-se em uma ampla variedade de fontes, incluindo registros hospitalares, entrevistas com famílias e necrológios públicos, levando em conta também milhares de mortes não registradas, devido a famílias inteiras soterradas sob os escombros ou impossibilitadas de receber atendimento médico.

Os pesquisadores descobriram que a esmagadora maioria das vítimas são civis. Crianças menores de 15 anos representam cerca de 27% dos mortos, enquanto as mulheres constituem 24%. Pessoas idosas, especialmente aquelas acima de 60 anos, também aparecem fortemente subnotificadas nos números oficiais.

Essa distribuição das vítimas — entre mulheres, crianças e idosos, em vez de homens em idade de combate ,não é típica de conflitos armados convencionais. É, destacam os autores, coerente com o que o UN Inter-agency Group for Child Mortality Estimation observou em genocídios anteriores. O estudo afirma explicitamente que o padrão de mortalidade por idade e sexo em Gaza se assemelha de modo direto aos padrões registrados em episódios de violência genocida, e não em confrontos militares entre forças armadas.

Além da escala das mortes, o estudo constatou que a expectativa de vida em Gaza despencou. Antes da ofensiva israelense, mulheres palestinas viviam, em média, até 77 anos, e os homens até 74. No final de 2024, esses números haviam caído para 46 anos para as mulheres e apenas 36 anos para os homens.

Segundo os pesquisadores, este representa um dos colapsos mais drásticos de expectativa de vida já registrados, refletindo a ameaça sem precedentes contra toda a população.

É crucial observar que os resultados do estudo contradizem as alegações de autoridades israelenses e seus aliados de que o Ministério da Saúde palestino teria inflado os números de vítimas. Enquanto o Ministério da Saúde de Gaza havia relatado cerca de 67.000 mortos no mesmo período, a pesquisa do Max Planck indica que essa cifra provavelmente representa apenas uma parte do número real.

Ao contrário do Ministério, que contabiliza apenas mortes confirmadas, o estudo inclui aquelas não registradas devido ao colapso da infraestrutura de saúde de Gaza ou da destruição total de famílias inteiras durante os bombardeios israelenses. Os pesquisadores ressaltam que, longe de serem exagerados, os números oficiais provenientes de Gaza são muito provavelmente conservadores e incompletos.

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