Ministro e membros do Knesset pedem para matar palestinos que queimam lixo (principalmente contrabandeado de Israel) na Cisjordânia

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Nazareth – PIC. Em meio a uma intensificação da retórica incendiária dentro do Knesset israelense, as questões ambientais na Cisjordânia vêm sendo cada vez mais conectadas a políticas de segurança que visam diretamente os palestinos. O tema da queima de lixo — causada principalmente pela falta de infraestrutura ambiental em razão das restrições israelenses — transformou-se em uma nova plataforma para apelos públicos ao uso de força letal contra civis, indicando uma deriva dos debates legislativos rumo a maior extremismo e militarização, inclusive em questões civis e ambientais.

Durante uma sessão realizada na quarta-feira no Knesset, o parlamentar Tzvi Sukkot, do partido de extrema direita Otzma Yehudit, pediu que a Força Aérea israelense “ataque e mate” palestinos que queimam lixo na Cisjordânia.

Suas declarações foram apoiadas pela ministra da Proteção Ambiental, Idit Silman, e pelo deputado Yitzhak Kroizer, ambos do mesmo partido.

Durante uma reunião da Comissão de Assuntos Internos e Proteção Ambiental, os três parlamentares afirmaram que a queima de lixo constitui “um ato de terrorismo”, exigindo que seja tratada da mesma forma que os casos de palestinos acusados de atirar pedras, segundo reportagem do Haaretz.

Silman declarou que o governo pretende deduzir valores das receitas fiscais transferidas à Autoridade Palestina sob o pretexto de financiar operações de combate aos incêndios de lixo, e pediu mais poderes para seu ministério atuar dentro da Cisjordânia.

Sukkot também solicitou a formação de um comitê investigativo especializado no que ele definiu como o problema dos locais de queima de lixo.

Colonialismo e falta de estruturas nos territórios colonizados

Ao mesmo tempo, Silman reconheceu que uma das principais causas da ampla queima de lixo é a falta de estruturas formais para coleta e tratamento de resíduos nas cidades palestinas.

Ela afirmou que seu ministério está trabalhando na ampliação de duas instalações existentes que tratam resíduos palestinos, além de pressionar pela criação de dois centros capazes de gerar energia queimando lixo.

Apesar de o governo de ocupação ter aprovado, dois anos atrás, um plano para lidar com os danos ambientais na Cisjordânia, ele ainda não recebeu aprovação final.

Segundo Silman, o ministério aguarda aprovação do Ministério da Defesa para implementar o plano, cujo orçamento está estimado em 134 milhões de shekels.

Primeiro despejam lixo nos Territórios palestinos, depois exigem a morte de quem é obrigado a queimá-lo

Um relatório do Centro de Pesquisa e Informação do Knesset afirma que a Unidade de Inspeção de Passagens intercepta, a cada ano, cerca de 150 caminhões que contrabandeiam lixo de Israel para a Cisjordânia — uma pequena porcentagem em comparação com o número real de caminhões que despejam resíduos ilegalmente em áreas palestinas.

Sukkot alegou que as equipes de combate a incêndios estão prontas para entrar na Cisjordânia a fim de apagar incêndios de lixo, mas que o exército israelense “não lhes fornece proteção”. Já o representante do exército presente à sessão afirmou não ter informações sobre tais planos.

Enquanto isso, a “Administração Civil” da ocupação, responsável pela remoção de lixo, disse estar enfrentando dificuldades para realizar as tarefas atribuídas, apesar de ter recebido, em maio passado, um orçamento governamental destinado à recuperação de vários locais de queima de resíduos na Cisjordânia.

O Haaretz concluiu que muitos outros locais continuarão a ver lixo sendo queimado a menos que o governo israelense mude sua política de gestão de resíduos nas áreas sob a Autoridade Palestina.

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