
Al Mayadeen. “Israel” estabeleceu condições para o retorno dos residentes aos campos de refugiados no norte da Cisjordânia, em particular em Jenin, após o seu deslocamento no início deste ano, durante as chamadas operações militares que destruíram grandes partes dos campos, segundo a mídia israelense.
De acordo com um relatório do Canal 15 israelense, “Israel” estabeleceu cinco condições-chave para o retorno dos residentes, sendo a mais significativa a exclusão da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) e de outras organizações internacionais da gestão dos campos. Baseada nessa proposta, a Autoridade Palestina assumiria total responsabilidade por fornecer serviços aos moradores.
Fontes israelenses disseram ao Canal 15 que essa condição é “a mais importante” em qualquer acordo. “Israel” considera a retirada da UNRWA um passo para transformar os campos — áreas reconhecidas internacionalmente e ligadas ao direito de retorno — em zonas inteiramente administradas pela AP, algo que “Israel” vê como um passo em direção ao fim da questão dos refugiados.
A Autoridade Palestina, no entanto, rejeitou firmemente essa proposta, descrevendo-a como politicamente sensível e indicativa de uma tentativa de “apagar” ou abandonar a questão dos refugiados, segundo o canal.
Exclusão das organizações internacionais é “crucial” para “Israel”
Segundo fontes israelenses citadas pelo Canal 15, atender à condição principal — a exclusão das organizações internacionais — é crucial; não fazê-lo bloquearia qualquer avanço nos demais aspectos do processo de retorno. A recusa da AP deriva do temor de que administrar os campos de forma independente possa ser interpretado como uma renúncia aos direitos dos refugiados.
“Israel” enfatizou que, sem um acordo sobre essa condição, não será possível retornar aos campos, e não haverá discussões sobre os outros requisitos. Um oficial de segurança israelense observou que, caso houvesse consenso sobre a exclusão das organizações de ajuda, poderia haver alguma margem de flexibilidade quanto às demais exigências.
Outras condições impostas por “Israel” incluem permitir o retorno somente após o exército israelense concluir a reconstrução da área, coordenar toda a construção de estradas com os militares e obrigar a AP a estabelecer postos de controle e delegacias de polícia para impedir a entrada de indivíduos que “Israel” classifica como “terroristas”. Além disso, todos os projetos de infraestrutura — incluindo eletricidade e água — devem ser instalados no subsolo.
“Israel” mira os campos de refugiados, deslocando dezenas de milhares de pessoas
Em janeiro de 2025, as forças de ocupação israelenses (IOF) lançaram uma ampla campanha militar no norte da Cisjordânia, tendo como alvo os campos de refugiados de Jenin, Tulkarm e Nur Shams. A campanha, descrita pela mídia israelense como “Operação Muro de Ferro”, começou em 21 de janeiro de 2025, com o objetivo declarado de desmantelar grupos armados e destruir supostas infraestruturas militantes.
A ofensiva militar causou destruição extensa de casas, estradas e infraestrutura pública em todos os campos atingidos. Organizações de direitos humanos, incluindo a Human Rights Watch e a Anistia Internacional, documentaram danos massivos e descreveram a campanha como uma forma de deslocamento forçado em massa.
Famílias inteiras foram obrigadas a fugir sob bombardeios intensos, sem rotas seguras disponíveis, e muitas continuam impossibilitadas de retornar devido à escala da devastação.
Até novembro de 2025, mais de 30 mil palestinos ainda estavam deslocados na Cisjordânia por causa das operações militares em curso. Só em Jenin, ataques aéreos e incursões terrestres deixaram grandes partes do campo de refugiados em ruínas, com moradores relatando casas demolidas, cortes de água e eletricidade e traumas entre crianças e idosos civis.
