9.300 palestinos detidos nas prisões israelenses, a maioria sem julgamento

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Ramallah - InfoPal. Organizações palestinas de defesa dos prisioneiros afirmaram que as forças de ocupação israelenses (IOF) mantêm cerca de 9.300 prisioneiros palestinos detidos, entre eles dezenas de mulheres e menores, a maioria encarcerada nas prisões de Ofer e Megiddo.

A esmagadora maioria está detida sem julgamento, seja aguardando procedimentos legais ou sob ordens de detenção administrativa. Apenas 1.254 detidos cumprem penas impostas por tribunais israelenses após condenação.

Citando dados do Serviço Prisional Israelense, atualizados no início de dezembro, as organizações afirmaram que o número não inclui os palestinos presos em campos de detenção militar administrados pelo exército israelense, onde o acesso, inclusive a registros, é fortemente limitado.

Aumento dos detidos administrativos e dos “combatentes ilegais”

O número de palestinos submetidos à detenção administrativa, prisão sem acusação nem julgamento, subiu para 3.350, informaram as organizações. Outros 1.220 detidos foram classificados por Israel como “combatentes ilegais”, uma designação aplicada principalmente a palestinos de Gaza, entre os quais há médicos, profissionais de saúde e jornalistas. Os grupos ressaltaram que esse número não inclui todos os prisioneiros de Gaza mantidos em campos militares das IOF.

Acrescentaram que a mesma classificação foi aplicada também a detidos árabes do Líbano e da Síria, definindo essa prática como uma clara violação do direito internacional humanitário.

Abusos, estupros, negligência médica e torturas

Relatórios de direitos humanos e depoimentos de prisioneiros recentemente libertados indicam que os detidos palestinos são submetidos a graves abusos dentro das prisões israelenses, incluindo espancamentos, torturas, violência sexual, fome forçada e negação de cuidados médicos, especialmente para aqueles com doenças crônicas.

Segundo os dados disponíveis, pelo menos 100 prisioneiros identificados de Gaza morreram sob custódia israelense desde 7 de outubro, em decorrência de torturas, estupros, negligência médica e condições severas de detenção. O destino de centenas de outros permanece desconhecido, enquanto Israel continua a recorrer à desaparição forçada.

Menores e mulheres entre a população carcerária

Grupos de direitos humanos informam que 51 mulheres palestinas estão atualmente detidas nas prisões israelenses, incluindo duas meninas.

O número de menores palestinos detidos chegou a 350, com a maioria encarcerada nas prisões de Ofer e Megiddo.

Os menores detidos são frequentemente submetidos a tribunais militares e mantidos em condições que, segundo organizações de direitos humanos, estão abaixo dos padrões legais internacionais para o tratamento de crianças.

As políticas nazisionistas de Ben-Gvir

A intensificação desses abusos e violações ocorre no contexto de políticas promovidas pelo ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, expoente da extrema direita, que há meses pressiona pelo endurecimento das condições carcerárias para os detidos palestinos. As medidas incluem redução de alimentos e água, limitação das visitas familiares e do acesso a banhos, ações que organizações palestinas e internacionais classificam como desumanas e em clara violação do direito internacional.

Os dados baseiam-se nos registros das instituições de apoio aos prisioneiros e nas informações publicadas pelo Serviço Penitenciário Israelense, atualizadas até dezembro de 2025.

Apelos por monitoramento e responsabilização legal

As instituições palestinas de defesa dos detidos afirmam que os números atualizados refletem a expansão das políticas de detenção israelenses e seu impacto sobre a sociedade palestina.

Os grupos pedem monitoramento internacional contínuo das condições de detenção e maior fiscalização dos marcos jurídicos utilizados.

Destacam ainda a necessidade de garantir que os detidos, em especial mulheres e crianças, sejam protegidos pelo direito internacional humanitário e pelos direitos humanos.

A detenção administrativa praticada por Israel é criticada há anos por organizações internacionais de direitos humanos, que afirmam que essa prática viola o direito a um julgamento justo.

Os tribunais militares israelenses mantêm jurisdição sobre a maioria dos detidos palestinos, inclusive menores, e registram uma taxa de condenação superior a 95%. O número de detenções aumentou drasticamente após o início da ofensiva israelense contra Gaza e o agravamento das tensões na Cisjordânia, com prisões em massa que atingiram pessoas sem acusações formais.

(Fontes: Al Mayadeen, PIC, Quds News).

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