
GAZA – PIC. Enquanto as Nações Unidas comemoram nesta sexta-feira o Dia Mundial das Cidades 2025, sob o tema “Cidades inteligentes centradas nas pessoas”, as cidades da Faixa de Gaza lutam simplesmente para sobreviver, erguendo-se em meio às ruínas deixadas por mais de dois anos de guerra genocida que apagou todos os vestígios de vida urbana.
Enquanto líderes globais discutem inteligência artificial e planejamento sustentável para melhorar a vida nas cidades, os outrora vibrantes bairros de Gaza foram reduzidos a escombros.
Segundo o Centro Al-Mezan para os Direitos Humanos, “o contraste entre a celebração global da inovação e a destruição das cidades da Faixa expõe a contradição moral mais gritante do nosso tempo”.
Dados do Birô Central Palestino de Estatísticas mostram que, entre 7 de outubro de 2023 e julho de 2025, cerca de 190.115 edifícios em Gaza foram destruídos, incluindo 102.067 totalmente arrasados. O número total de unidades habitacionais danificadas ou demolidas chega a 330.500, além da destruição de 71 hospitais, 293 escolas e universidades e 246 mesquitas. Bairros inteiros, torres residenciais e campos de refugiados foram literalmente apagados do mapa.
Gaza, uma das cidades mais antigas continuamente habitadas do mundo, com mais de 5.000 anos de história, preservava um rico patrimônio cultural e religioso: a Grande Mesquita Omari, a Igreja de São Porfírio, o Mercado Qaisariya e o Castelo Barquq, em Khan Yunis.
De acordo com o Al-Mezan, o bombardeio sistemático israelense devastou esses marcos históricos, apagando grande parte da memória coletiva e do patrimônio de Gaza.
A destruição veio acompanhada de deslocamento forçado em massa. Mais de dois milhões de palestinos foram expulsos de suas casas, e mais da metade vive em tendas superlotadas, sem acesso às necessidades humanas mais básicas.
Imagens de satélite da ONU, registradas entre 4 e 15 de setembro de 2025, mostraram milhares de tendas destruídas ou desaparecidas devido a ataques repetidos ou colapsos, enquanto outras continuavam a se espalhar pela costa sul de Gaza.
As perdas de infraestrutura agravaram ainda mais a crise. Cerca de 85% das instalações de água e saneamento estão atualmente fora de funcionamento, reduzindo o acesso diário à água para apenas 3 a 5 litros por pessoa, bem abaixo do padrão mínimo de 15 litros estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O Centro Al-Mezan de Direitos Humanos afirmou que as forças de ocupação israelenses “destruíram sistematicamente cidades palestinas inteiras, cometendo crimes de guerra e crimes contra a humanidade como parte de um genocídio em curso”, em flagrante violação do direito humanitário internacional, incluindo a Quarta Convenção de Genebra, que protege civis durante conflitos.
O centro instou a comunidade internacional a tomar ações imediatas para pôr fim ao genocídio em curso, apesar do acordo de cessar-fogo de Sharm el-Sheikh, garantindo proteção a civis e propriedades e responsabilização dos perpetradores. Também pediu a formação de equipes especializadas para investigar o impacto humano e ambiental das armas israelenses em áreas residenciais.
O Al-Mezan ainda exigiu a reabertura completa das passagens de fronteira do enclave para permitir a entrada de materiais e equipamentos necessários à remoção de escombros e reconstrução, enfatizando a necessidade de reconstruir cidades humanas e sustentáveis sobre as ruínas daquelas destruídas deliberadamente.
