Os Estados ocidentais correm para comprar armas manchadas pelo sangue de Gaza na exposição israelense

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Al Mayadeen. Governos estrangeiros estão correndo para adquirir armas israelenses que foram testadas e aperfeiçoadas no assalto genocida contra Gaza, transformando uma guerra marcada por uma morte massiva de civis em uma vitrine comercial lucrativa.

Sua presença em uma exposição apoiada pelo Ministério da Segurança nesta semana (na semana passada, nota do editor) sinalizou uma cumplicidade explícita: uma avidez em lucrar com uma tecnologia aperfeiçoada por meio da destruição de uma população civil sitiada.

Dentro de um auditório lotado, empresas israelenses exibiram ferramentas aprimoradas em tempo real durante as campanhas militares em Gaza, no Líbano e no Irã. Segundo o Wall Street Journal, um vídeo apresentado ao público mostrava dois drones atingindo um edifício em Gaza, um vislumbre das mesmas táticas que devastaram bairros inteiros e mataram milhares de famílias.

Comentando as imagens, o CEO da UVision Air, Ran Gozali, disse, citado pelo WSJ: “Vocês veem o primeiro atingindo o lado esquerdo… e depois o segundo indo para seu próprio alvo”, acrescentando: “Estes são alguns dos clipes que fomos autorizados a compartilhar”.

Mercadores da guerra.

O público incluía autoridades dos Estados Unidos, Alemanha, Noruega, Reino Unido, Índia, Uzbequistão, Cingapura e Canadá que, ao invés de considerar essas demonstrações como evidências de atrocidades, as observavam como características valiosas de um produto desejável.

Esse entusiasmo chega apesar do fato de que “Israel” está sob crescente escrutínio legal internacional. O Tribunal Penal Internacional emitiu mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Segurança Yoav Gallant por crimes de guerra, acusações que ambos “negaram” e classificaram como ilegítimas. No entanto, esse contexto legal não dissuadiu os compradores, que se misturaram sem dificuldades com os comandantes israelenses envolvidos no genocídio de Gaza, sinalizando que as atrocidades por trás da marca “testado em batalha” das armas não constituíam qualquer obstáculo aos negócios.

Vazio moral.

Para os Estados europeus, muitos dos quais expressaram publicamente preocupação com a catástrofe humanitária em Gaza, a exposição revelou um inquietante vazio ético. A Noruega, que no passado retirou investimentos da Caterpillar devido ao papel de seus tratores em Gaza, ainda assim enviou um representante.

O Reino Unido, que havia proibido uma delegação israelense de uma feira de armamentos no início do ano, afirmou sobre sua presença: “Os funcionários da Embaixada britânica participaram da conferência como fazem rotineiramente em todo o mundo para dialogar com seus homólogos e promover os interesses do Reino Unido”. Declarações como essa apenas amplificaram a hipocrisia: condenar publicamente as mortes de civis enquanto, em privado, premiam os sistemas que as provocaram.

A delegação alemã, uma das maiores, usava broches com as bandeiras alemã e israelense unidas, um apoio simbólico às armas aperfeiçoadas por meio da destruição da infraestrutura e da população de Gaza. Berlim havia congelado temporariamente a transferência de equipamentos que poderiam ser utilizados na Faixa, mas reverteu sua posição quando um cessar-fogo foi anunciado. Sua compra do sistema de defesa aérea Arrow 3, avaliado em 4 bilhões de dólares, tornou-se operacional nesta semana, o maior acordo de armamentos da história de “Israel” e um claro sinal de que o sofrimento em massa em Gaza não representa obstáculo a parcerias lucrativas.

Capital de sangue.

As exportações de armas de “Israel” subiram para 14,8 bilhões de dólares em 2024, um ano recorde, com a Europa representando mais da metade das vendas totais. Cada contrato assinado, cada delegação que visitou os estandes, reforçou a mesma mensagem: armas experimentadas nos corpos palestinos agora são recursos comercializáveis para governos que correm para ampliar seus arsenais.

Por todo o espaço da exposição, segundo o WSJ, autoridades ocidentais e investidores tiraram fotos ao lado do sistema de interceptação a laser Iron Beam, da Rafael, que “Israel” utilizou “dezenas de vezes” durante a guerra em Gaza e especialmente na devastadora guerra contra o Líbano. A Romênia já assinou um acordo de vários bilhões com a empresa, e a Elbit anunciou em novembro um contrato de 2,3 bilhões de dólares com um cliente estrangeiro não divulgado.

“Para o bem ou para o mal”.

Apesar de algumas tentativas de marketing terem provocado indignação — como o vídeo promocional da Rafael em julho que mostrava sua munição Spike Firefly matando uma pessoa em Gaza — as empresas israelenses presentes pareciam entusiasmadas. Para elas, as ruínas de Gaza haviam se tornado prova do desempenho de seus produtos. Como disse Alon Lifshitz, da Aurelius Capital: “Israel, na guerra, para o bem ou para o mal, mostrou o que funcionou e o que não funcionou”.

Ao final, a conferência destacou não apenas a economia militarizada de “Israel”, mas também os padrões duplos dos governos que continuam a fazer negócios com ele. A compra de armas testadas na população devastada de Gaza torna esses Estados participantes ativos na transformação do sofrimento em massa em lucro. Seus contratos funcionam como cobertura política; sua presença atua como aprovação moral.

https://www.infopal.it/gli-stati-occidentali-si-affrettano-ad-acquistare-armi-macchiate-del-sangue-di-gaza-allesposizione-israeliana/
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