
PressTv. Um aliado próximo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria tentando lucrar com uma base militar norte-americana de 600 milhões de dólares que se propõe construir nos territórios do sul ocupados por Israel, segundo um relatório, enquanto Washington reforça sua presença nas proximidades de Gaza sob o pretexto de “estabilização”, em meio às contínuas violações israelenses do cessar-fogo de outubro.
Nathan Albers, proprietário da empresa Disaster Management Group (DMG), sediada na Flórida, e visitante frequente de Mar-a-Lago, estaria posicionando sua empresa para construir a base militar norte-americana proposta perto da fronteira com a sitiada Faixa de Gaza, nos territórios do sul ocupados por Israel, informou na terça-feira o jornal israelense Haaretz.
Segundo o relatório, a base dos EUA deverá “gerar receitas de bilhões de shekels para quem a construir”, e “já há atores se movimentando para lucrar com isso”, entre eles a DMG, especializada na construção e gestão de estruturas temporárias.
A base, destinada a abrigar milhares de soldados norte-americanos e internacionais no âmbito de uma chamada “Força Internacional de Estabilização”, enfrenta o ceticismo de vários países, relutantes em arriscar-se a combater o movimento de resistência palestino Hamas em nome de Israel.
Apesar disso, as autoridades israelenses estão preparando o terreno para a construção, avaliando se a instalação deve ser erguida nos territórios ocupados por Israel ou dentro de Gaza, além da chamada “Linha Amarela” controlada por Israel.
De acordo com o Haaretz, um funcionário do Ministério israelense para Assuntos da Diáspora entrou em contato com a chamada Autoridade de Terras de Israel (ILA) para organizar uma reunião entre altos funcionários da ILA e representantes da DMG. O encontro foi marcado para 8 de dezembro e, nesse dia, um jato registrado em nome de Albers aterrissou nos territórios ocupados por Israel vindo de Miami, partindo dois dias depois.
A estrutura planejada seria enorme, com empreiteiros norte-americanos já avaliando a logística necessária para alimentar 10 mil soldados estacionados na base. Isso reflete o modelo dos EUA de criar infraestruturas militares no exterior que beneficiam empresas privadas ligadas a aliados políticos, como no caso do projeto anterior de Albers, de 1,3 bilhão de dólares, para uma cidade de tendas destinada a migrantes no Texas.
Um relatório recente do Guardian afirmou que especialistas logísticos dos EUA foram destacados para o Centro de Coordenação Civil-Militar (CMCC), uma base norte-americana menor nos territórios ocupados por Israel, com o suposto objetivo de melhorar a entrega de ajuda humanitária. No entanto, descobriram que as restrições israelenses representavam o principal obstáculo, levando dezenas de operadores a deixar o local em poucas semanas. O relatório também observou que o exército israelense estava espionando as tropas norte-americanas e seus aliados estacionados no CMCC.
A construção de uma base maior poderia agora arrastar os Estados Unidos ainda mais profundamente para a agressão militar israelense contra a população palestina, em um território devastado pela guerra.
