
Gaza. O enviado dos Estados Unidos, Steve Witkoff, anunciou na noite de quarta-feira, 14 de janeiro, o início da segunda fase do plano em 20 pontos do presidente Donald Trump para pôr fim à guerra em Gaza. A fase inclui a formação de uma administração tecnocrática em Gaza, o início dos esforços de reconstrução e a implementação do desarmamento.
Witkoff explicou que a fase 2 prevê a instituição de uma administração tecnocrática palestina transitória, denominada “Comitê Nacional para a Administração de Gaza”. Esse órgão seria responsável pela implementação de um processo completo de desarmamento, tendo como alvo todas as armas não autorizadas, enquanto inicia simultaneamente importantes projetos de reconstrução.
O enviado dos Estados Unidos destacou que os Estados Unidos esperam que o Hamas cumpra integralmente todos os seus compromissos, incluindo a liberação imediata do corpo do último prisioneiro israelense remanescente. Ele advertiu que qualquer violação desses compromissos acarretaria graves consequências.
Witkoff afirmou que a fase 1 do plano de Trump alcançou “progressos históricos”, incluindo a ampliação da entrada de ajuda humanitária, a manutenção do cessar-fogo, a recuperação de todos os prisioneiros vivos e a recuperação de 27 dos 28 prisioneiros falecidos.
Ele expressou gratidão ao Catar, ao Egito e à Turquia por seus papéis fundamentais de mediação na obtenção dos avanços alcançados até o momento.
O anúncio ocorre enquanto a mídia informa que o comitê tecnocrático encarregado de governar Gaza está quase pronto para iniciar, aguardando acordos finais sobre segurança e polícia.
O ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdel Aaty, confirmou que foi alcançado um acordo sobre os nomes de 15 membros do comitê tecnocrático. Diversas facções palestinas expressaram apoio a esses esforços de mediação e à criação das condições necessárias para que o comitê possa iniciar imediatamente as operações em Gaza.
Falando em uma coletiva de imprensa no Cairo, Abdel Aaty declarou que houve consenso sobre a formação do órgão administrativo e expressou a esperança de que seus membros sejam anunciados oficialmente em breve, abrindo caminho para a implementação dos pontos restantes do plano e para o envio do comitê a Gaza.
Já em outubro de 2024, tanto Israel quanto o Hamas haviam aceitado o plano em 20 pontos de Trump, que prevê que Gaza seja administrada por um órgão tecnocrático palestino sob supervisão internacional por parte de um “Conselho para a Paz” durante um período transitório.
Desde outubro de 2023, com o apoio dos Estados Unidos, Israel lançou uma guerra genocida contra Gaza, causando mais de 71.000 mortos e 171.000 feridos, em sua maioria crianças e mulheres, além da destruição de cerca de 90% das infraestruturas civis da região.
Israel continua a atrasar a implementação da fase dois, subordinando os avanços à recuperação dos restos mortais do último prisioneiro. O Hamas declarou que a localização do corpo pode exigir tempo devido à destruição generalizada provocada pela guerra.
