Modi visita os Territórios ocupados para aprofundar os laços entre Israel e Índia, apesar do genocídio em Gaza

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PressTv. O primeiro-ministro indiano Narendra Modi chegou aos Territórios ocupados para reforçar os laços com Tel Aviv, suscitando críticas de observadores que definiram a visita como “uma traição à causa palestina” e um aval tácito às políticas “homicidas” do regime israelense.

Modi recebeu uma recepção com tapete vermelho do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e de sua esposa Sara em sua chegada à cidade santa ocupada de al-Quds/Jerusalém, na quarta-feira.

Enquanto Modi descia do avião, Netanyahu teria se referido a ele como “o maior amigo”, sublinhando o calor da recepção, em meio à contínua opressão israelense dos palestinos.

“Estou confiante de que minha visita de Estado consolidará ainda mais os laços duradouros entre os dois países, estabelecerá novos objetivos para a parceria estratégica e promoverá nossa visão compartilhada de um futuro resiliente, inovador e próspero”, declarou Modi em um comunicado. No âmbito de sua visita, Modi dirigiu-se ao Knesset, o parlamento do regime, onde Netanyahu o descreveu como “um grande amigo de Israel, um grande apoiador da aliança israelo-indiana e um grande líder no cenário mundial”. O discurso marca a primeira vez que um premiê indiano se dirige à Knesset.

Espera-se que Modi e Netanyahu discutam cooperação em ciência e tecnologia, inovação, agricultura, gestão de recursos hídricos, área militar, comércio e investimentos.

Desde que assumiu o cargo, em 2014, Modi promoveu um aprofundamento dos laços da Índia com o regime israelense, afastando-se gradualmente do apoio histórico do país à luta palestina pela independência.

Hoje, Nova Délhi, outrora entre as nações que se opunham à reivindicação de existência do regime em 1948, tornou-se a maior compradora de armas da entidade.

A posição do governo indiano sobre o regime “não reflete a posição historicamente adotada pelos indianos, em particular como povo que vive em um país pós-colonial e que se identificou com a causa palestina”, afirmou Sreeja Donti Reddy, integrante do movimento Indian People in Solidarity with Palestine.

Priyanka Gandhi, parlamentar do partido de oposição Indian National Congress e filha do ex-primeiro-ministro Rajiv Gandhi, bem como irmã do líder da oposição Rahul Gandhi, havia instado Modi a pedir justiça para os palestinos em Gaza.

“A Índia defendeu o que é certo ao longo de nossa história como nação independente, devemos continuar a mostrar ao mundo a luz da verdade, da paz e da justiça”, escreveu online.

A visita de Modi ocorre enquanto o regime continua a violar um “cessar-fogo” destinado a pôr fim à sua guerra genocida contra Gaza.

O Communist Party of India (Marxist) declarou que se opõe “com firmeza” à visita de Modi, pois coincide com o fato de que o regime “está conduzindo uma guerra genocida em Gaza”.

“A visita de Modi é, portanto, uma traição à causa palestina e legitima o regime homicida de Netanyahu”, afirmou o partido em uma declaração.

“O objetivo declarado da visita é também aprofundar os laços estratégicos, militares e econômicos com um regime sionista expansionista que busca dominar a região com a ajuda dos Estados Unidos da América”, acrescentou.

“A visita é ainda mais inoportuna porque ocorre em um momento em que os Estados Unidos estão se preparando para atacar militarmente o Irã por instigação de Israel”, afirmou o partido.

Críticos afirmam que o alinhamento de Modi com Tel Aviv vai além da própria visita, refletindo uma mudança mais ampla na política externa indiana.

“Desde que o governo Modi chegou ao poder, deixou muito claro que não está de forma alguma interessado na questão palestina. Eles fornecem apenas algumas declarações de fachada e dinheiro, e até mesmo as declarações de fachada tornaram-se muito menos frequentes”, declarou o prof. Achin Vanaik, cientista político e ex-professor de relações internacionais na Universidade de Délhi, à Arab News.

“Este governo, tanto por razões ideológicas quanto por aquelas que considera razões estratégicas, está solidamente alinhado com Israel”, acrescentou Vanaik.

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