
Washington – QNN. Em uma entrevista no domingo ao The New York Times, o presidente Donald Trump revelou uma notável falta de clareza sobre a guerra em curso entre EUA e Israel contra o Irã. Ele afirmou que os ataques podem continuar por “quatro a cinco semanas”, se necessário, e insistiu que o esforço “não será difícil” para as forças dos EUA e de Israel, mesmo enquanto reconhecia a possibilidade de mais baixas americanas.
Trump ofereceu visões contraditórias sobre como o governo do Irã poderia mudar após o assassinato seletivo do Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei. Num momento, ele sugeriu que o Irã poderia se espelhar na Venezuela, onde apenas o principal líder foi removido e o resto do governo permaneceu no lugar, agora disposto a cooperar com os Estados Unidos. Minutos depois, ele disse que as forças militares de elite do Irã poderiam simplesmente entregar suas armas ao povo, permitindo que uma revolta popular determinasse a liderança.
As comparações com a Venezuela levantaram sobrancelhas entre os assessores. A população do Irã é cerca de três vezes maior, seu exército é mais poderoso e sua liderança clerical governa com controle estrito desde 1979. Trump pareceu impassível, chamando repetidamente o modelo venezuelano de “o cenário perfeito” para Teerã, apesar dos avisos de que tal estratégia era irrealista.
Quando questionado sobre quem deveria liderar o Irã em seguida, Trump disse que tinha “três opções muito boas”, mas se recusou a nomeá-las. Ele permaneceu vago sobre quem decidiria a nova liderança do Irã ou como a transição se desenrolaria. Enquanto isso, autoridades iranianas, incluindo o principal oficial de segurança Ali Larijani, afirmaram que um comitê interino administraria o país até que a Assembleia dos Especialistas selecionasse um novo Líder Supremo.
Trump afirmou que os militares dos EUA têm “enormes quantidades de munição” armazenadas em todo o mundo e expressou confiança de que o Irã acabaria cedendo aos objetivos americanos e israelenses. Ele também sugeriu que poderia suspender as sanções se a nova liderança iraniana se mostrasse cooperativa, sem especificar como protegeria os iranianos que ele instou a derrubar seu governo.
Os comentários do presidente destacaram uma aparente incerteza dentro de sua administração. Ele admitiu a expectativa de baixas, observando que as projeções poderiam ser maiores do que o antecipado. No entanto, ele permaneceu otimista, afirmando que a campanha militar estava “adiante do cronograma” e já havia desabilitado elementos-chave da marinha do Irã, incluindo nove navios e o quartel-general.
