
Jerusalém ocupada – PIC. O Governatorato de Jerusalém alertou na terça-feira sobre as modificações recentemente observadas nos mapas publicados no site do município da ocupação israelense em Jerusalém, relativas à reclassificação de partes da cidade de Silwan e à sua anexação ao que é chamado de bairro da “Cidade de Davi”, confirmando que essas medidas são inválidas.
O governatorato explicou, em um comunicado, que as modificações mostram uma mudança nas divisões de planejamento impostas pelas autoridades de ocupação à cidade, indicando uma redução de sua área e a reincorporação de partes dela, especialmente da área de Wadi Hilweh, dentro da zona que as autoridades de ocupação chamam de “Cidade de Davi”, cuja superfície é estimada em cerca de 333,76 dunams.
Ressaltou que essa classificação faz parte de um plano para transformar partes da cidade em uma zona turística e arqueológica conduzida por projetos de colonização, o que leva, na prática, à redução do espaço urbano palestino em Silwan, com efeitos diretos sobre o planejamento do uso do solo e sobre o nível dos serviços municipais fornecidos aos moradores, além de suas repercussões sobre a narrativa histórica e o patrimônio do local.
O governatorato confirmou que as chamadas divisões ou “limites municipais” impostos pela ocupação em Jerusalém são medidas unilaterais e ilegais, destinadas a remodelar o espaço territorial e demográfico em Jerusalém Oriental de modo a servir aos projetos de colonização.
Acrescentou que esses passos refletem um processo mais profundo de reestruturação espacial e política na cidade, por meio da redefinição dos bairros e de sua vinculação a um quadro patrimonial e arqueológico que serve à narrativa colonial, especialmente nas áreas ligadas à Cidade Velha de Jerusalém e aos arredores da Mesquita de Al-Aqsa, bem como ao que a ocupação chama de “Bacia Sagrada”.
O governatorato explicou que a cidade de Silwan é uma das mais antigas cidades palestinas de Jerusalém, localizada diretamente ao sul da Mesquita de Al-Aqsa, e sua história remonta a milhares de anos, pois constituía um dos núcleos históricos em torno dos quais a cidade surgiu.
Acrescentou que a cidade era conhecida por seu papel na proteção da extensão meridional da Cidade Velha, o que lhe rendeu o título de “Protetora de Jerusalém”, mas desde a ocupação de Jerusalém em 1967 ela tem sido submetida a contínuas políticas de judaização destinadas a mudar seu caráter demográfico e geográfico, por meio da confiscação de terras e casas em benefício de associações de colonos.
Esclareceu que a área de Silwan antes da ocupação em 1967 era de cerca de 5.640 dunams; no entanto, as políticas de confisco e colonização levaram à sua redução após a tomada de vastas áreas de suas terras e a implantação nelas de projetos de assentamento.
Também destacou que as associações de colonos têm como alvo a cidade com projetos arqueológicos e turísticos usados como cobertura para controlar a terra e impor uma suposta narrativa bíblica em torno do que é chamado de “Cidade de Davi”.
O Governatorato de Jerusalém reiterou que todas as medidas impostas pela ocupação na cidade são inválidas e ilegais segundo o direito internacional e não concederão à ocupação qualquer direito sobre Jerusalém, independentemente da amplitude ou profundidade dessas medidas.
Confirmou ainda que as políticas que têm como alvo Jerusalém e seus locais sagrados islâmicos e cristãos atingem o nível de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, ressaltando que elas não conseguirão quebrar a firmeza dos jerusalemitas nem arrancá-los de sua terra, pois eles permanecem ligados ao seu direito à sua cidade e à sua identidade histórica e nacional.
