Rússia: plano de Trump para Gaza “lembra práticas da era colonial”

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Gaza – PressTV. A Rússia criticou duramente o controverso plano apoiado pelos Estados Unidos para o envio de uma chamada Força Internacional de Estabilização (ISF) para Gaza, afirmando que ele “lembra práticas coloniais” e corre o risco de marginalizar os palestinos.

Na segunda-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução que estabelece a força internacional em Gaza.

A resolução, apresentada pela administração Trump, recebeu 13 votos a favor e nenhum voto contra, com os membros permanentes China e Rússia abstendo-se.

Moscou havia anteriormente divulgado uma proposta alternativa com uma linguagem mais firme em apoio a um Estado palestino, sublinhando que a Cisjordânia e Gaza devem ser unidas como um único Estado sob a Autoridade Palestina.

O embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, declarou na terça-feira que a Rússia se absteve porque a proposta carecia de transparência, excluía a contribuição dos palestinos e concedia a Washington controle excessivo sobre Gaza sob o pretexto de manutenção da paz.

Ele alertou que a força internacional poderia se transformar em “uma folha de parreira para experimentos desenfreados conduzidos pelos Estados Unidos em Israel e nos territórios palestinos ocupados”.

Segundo Nebenzia, a força “parece capaz de agir de forma completamente autônoma, sem qualquer consideração pela posição ou opinião de Ramallah”.

Uma abordagem desse tipo, afirmou, corre o risco de consolidar a temida separação entre Gaza e a Cisjordânia ocupada.

Nebenzia também traçou um claro paralelo com a era colonial, afirmando que o plano “lembra práticas coloniais… quando a opinião dos próprios palestinos não era levada em consideração”.

Moscou também levantou dúvidas sobre o mandato da ISF previsto pelo plano de Trump, advertindo que suas vagas “funções de imposição da paz” poderiam, na prática, transformá-la em um ator militar, em vez de uma presença neutra de manutenção da paz.

A nova força, acrescentou Nebenzia, corre o risco de se tornar mais um instrumento de controle dos EUA, em vez de uma presença estabilizadora para os palestinos.

A força, que segundo relatos seria composta por Estados Unidos, Turquia, Catar e Egito, operaria sob o pretexto de reconstrução e segurança.

Trump celebrou a votação descrevendo-a como “um momento de verdadeiro significado histórico” em uma publicação nas redes sociais, afirmando que “os membros do Conselho e muitos outros anúncios empolgantes serão revelados nas próximas semanas”.

Após a votação, Hamas rejeitou o plano, descrevendo-o como um mecanismo imposto de “tutela internacional” e reiterou que não deporá as armas.

Organizações de direitos humanos também alertaram que a proposta de Trump ignora questões centrais da ocupação israelense, da responsabilidade por crimes de guerra e do direito dos palestinos à autodeterminação e à compensação.

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