Sionismo global: o naufrágio da ética e uma ameaça para a humanidade

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Por Karima Angiolina Campanelli

As etnias judaicas que se desenvolveram dentro do mundo árabe ou em áreas de forte influência cultural árabe, frequentemente definidas coletivamente como parte dos Mizrahi (judeus orientais), distinguem-se pelo uso histórico do árabe como língua materna (ou dialetos árabe-judaicos) e por terem adotado costumes locais semelhantes aos de seus vizinhos muçulmanos, mantendo, ao mesmo tempo, a fé judaica.

Eis uma lista das principais comunidades judaicas árabes:

Judeus marroquinos: Uma das comunidades mais antigas e numerosas, com uma história milenar.

Judeus iraquianos: Descendentes dos exilados babilônicos, uma das mais antigas comunidades judaicas do mundo.

Judeus sírios: Comunidade historicamente enraizada em Aleppo e Damasco.

Judeus iemenitas: Distintos por seus cantos, liturgia e tradições culinárias únicas, embora utilizem o árabe.

Judeus egípcios: Comunidade que se encontrava principalmente no Cairo e em Alexandria.

Judeus tunisianos: Comunidade histórica com tradições tanto sefarditas quanto autóctones.

Judeus argelinos: Semelhantes em história e cultura aos judeus tunisianos e marroquinos.

Judeus libaneses: Comunidade concentrada principalmente em Beirute.

Judeus líbios: Comunidade enraizada sobretudo em Trípoli e Benghazi.

Judeus berberes: Frequentemente associados aos judeus marroquinos, falavam dialetos berberes e árabes no Norte da África.

Enquanto as etnias acima listadas são semitas em língua, cultura, genética e tradições seculares enraizadas no solo do Oriente Médio, os asquenazitas que ocuparam a Palestina (provenientes da Europa Central e Oriental) trouxeram consigo uma visão de mundo, uma língua (o iídiche) e uma abordagem política alheias a esse contexto.

O projeto sionista foi criticado por muitos historiadores justamente por ter operado uma espécie de “desarabização” dessas comunidades semitas, forçando judeus iraquianos, iemenitas ou marroquinos a renegar sua herança cultural para se adaptar a um modelo ocidental e militar. A escola asquenazita europeia impôs seu rito e sua visão política sobre todas as outras. As escolas mizrahi e sefardita, que possuíam uma tradição de convivência e uma identidade semítica árabe, foram sistematicamente “europeizadas” ou marginalizadas, destruindo aquela ponte cultural que poderia ter evitado décadas de violência.

É preciso ter coragem intelectual para chamar as coisas pelo nome: o sionismo, em suas vertentes judaica e cristã, não é uma extensão da fé, mas sua negação mais violenta. É uma ideologia nacionalista e supremacista que tomou como reféns tradições milenares para transformá-las em uma arma de destruição geopolítica.

Devemos fazer uma distinção necessária. O primeiro engano a ser desmascarado é a equiparação entre religião e ideologia.

O judaísmo e o cristianismo são caminhos espirituais baseados na justiça e no universalismo.

O sionismo é um projeto colonial do século XIX que introduziu o conceito de “raça” e “sangue” onde antes havia apenas oração.

O sionismo cristão, em particular, representa uma deriva apocalíptica inquietante: vê no conflito do Oriente Médio apenas um meio para acelerar cenários bíblicos catastróficos, tratando populações inteiras como peças sacrificáveis em um jogo teológico perverso.

A memória dos judeus foi traída pelo sionismo, destruindo também uma convivência civil e pacífica que durava há muitos anos.

Antes do advento do dogma sionista, a Palestina não era uma terra vazia, nem um campo de batalha eterno. Era o lar dos judeus árabes (mizrahi e sefarditas), comunidades que por séculos compartilharam língua, música, comida e destino com seus irmãos muçulmanos e cristãos.

Esses judeus não eram “estrangeiros” no Oriente Médio; eram parte integrante do tecido social de Bagdá, Damasco, Cairo e Jerusalém. O sionismo, com sua matriz puramente europeia (asquenazita), rompeu esses laços milenares, impondo uma visão colonial que forçou os judeus orientais a renegar sua identidade árabe para se tornarem cidadãos de segunda classe em um sistema hierárquico e racista.

Os danos dessa maldita ideologia tóxica e o impacto desse fanatismo sobre a segurança global e a moral humana são devastadores.

Corroeram o Direito Internacional: o apoio acrítico a políticas de apartheid transformou as instituições globais em cascas vazias, criando um precedente em que a força bruta prevalece sobre a lei.

Criaram, com o desinteresse global da sociedade civil, uma desestabilização geopolítica: por décadas, a agenda sionista alimentou guerras, golpes de Estado e tensões permanentes, transformando o Oriente Médio em um barril de pólvora em benefício de poucos complexos industriais bélicos.

Traíram o judaísmo: o dano mais sutil é o causado aos próprios judeus. O sionismo transformou uma identidade ética baseada na resiliência em uma identidade baseada no domínio militar, expondo comunidades judaicas em todo o mundo a perigos decorrentes das ações de um Estado que pretende falar em seu nome.

É uma violência estrutural.

Não falamos apenas de bombas, mas de roubo de terras, demolição de casas e criação de um sistema de segregação que ofende a inteligência e a consciência de todo ser humano.

O sionismo não é uma defesa; é uma prisão ideológica. É um perigo para a humanidade porque normaliza a ideia de que um grupo humano pode reivindicar uma superioridade divina para esmagar o outro. Condenar essa deriva não é apenas um ato político, é um dever moral para salvar a dignidade das religiões envolvidas e a paz do mundo inteiro…

PAREMOS O SIONISMO GLOBAL!

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