
Nova York – PressTV. O YouTube apagou secretamente mais de 700 vídeos que documentavam violações israelenses em Gaza e na Cisjordânia, após remover as contas de três importantes organizações palestinas de direitos humanos — uma ação amplamente condenada como um ataque à liberdade de expressão e à responsabilização por crimes de guerra.
As contas pertenciam a Al-Haq, ao Al Mezan Center for Human Rights e ao Palestinian Centre for Human Rights — três das mais proeminentes entidades palestinas de monitoramento de abusos.
O conteúdo removido incluía um documentário sobre mães sobreviventes do genocídio israelense em Gaza, uma investigação sobre o assassinato da jornalista palestino-americana Shireen Abu Akleh e imagens da destruição de casas palestinas na Cisjordânia ocupada — todas provas cruciais de supostos crimes de guerra israelenses.
A decisão veio em resposta a uma campanha do governo dos Estados Unidos para sufocar os esforços de responsabilização pelos crimes de guerra israelenses em Gaza e na Cisjordânia.
Após a Corte Penal Internacional (CPI) emitir mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant por crimes de guerra em Gaza, a administração Trump intensificou sua defesa de Israel, sancionando funcionários da CPI e visando indivíduos e organizações que cooperavam com a Corte.
“Estou bastante chocada com a falta de firmeza do YouTube”,
declarou Sarah Leah Whitson, diretora executiva da Democracy for the Arab World Now.
“É difícil imaginar qualquer argumento sério de que o compartilhamento de informações dessas organizações palestinas viole sanções”, acrescentou.
Katherine Gallagher, advogada sênior do Center for Constitutional Rights, classificou como “ultrajante” o fato de o YouTube estar “promovendo a agenda da administração Trump de esconder do público as provas de violações de direitos humanos e crimes de guerra”.
O YouTube, de propriedade da Google, confirmou ao The Intercept que removeu as contas dos grupos como consequência direta das sanções impostas pelo Departamento de Estado dos EUA após uma verificação.
A administração Trump havia imposto as sanções em setembro, por causa da colaboração dessas organizações com a CPI em casos que acusavam funcionários israelenses de crimes de guerra.
“O Google está comprometido em cumprir as sanções e as leis de conformidade comercial aplicáveis”,
afirmou Boot Bullwinkle, porta-voz do YouTube.
Um porta-voz do Al-Haq, sediado na Cisjordânia, declarou:
“A remoção, sem aviso prévio, da plataforma de uma organização de direitos humanos pelo YouTube representa uma grave violação de princípio e um retrocesso alarmante para os direitos humanos e a liberdade de expressão.”
“As sanções dos EUA estão sendo usadas para paralisar o trabalho de responsabilização na Palestina e silenciar as vozes e vítimas palestinas — e plataformas como o YouTube acabam reforçando esse silenciamento”, acrescentou.
O YouTube não é a única empresa de tecnologia norte-americana a impedir o acesso de grupos palestinos de direitos humanos aos seus serviços.
O mesmo porta-voz revelou que o Mailchimp, serviço de e-mail marketing, também excluiu a conta do Al-Haq em setembro.
Como muitas grandes empresas de tecnologia, o YouTube tem mostrado disposição em atender às exigências tanto do governo dos Estados Unidos quanto de Israel.
A plataforma colaborou com uma campanha organizada por especialistas israelenses em tecnologia para remover conteúdos nas redes sociais considerados críticos a Israel.
A Google, empresa-mãe do YouTube, também forneceu secretamente dados pessoais de usuários do Gmail ao Departamento de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) em uma tentativa de prender um estudante pró-Palestina.
Mesmo antes da atual ofensiva genocida de Israel em Gaza, o YouTube já aplicava suas diretrizes comunitárias de forma desigual, censurando vozes palestinas enquanto tolerava conteúdos pró-israelenses sem o mesmo rigor.
